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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Anselmo Mendes, reinventa seus vinhos, a começar pelo Alvarinho

Por Breno Raigorodski

 

 

 

É fácil escrever sobre os ótimos vinhos de Anselmo Mendes.

 

 

Basta dizer – sem qualquer exagero – que ele anda recriando a Alvarinho e o prestígio da região do Vinho Verde, como já andaram falando (bem) nos últimos 10 anos ingleses como a Jancis Robinson e o Hugh Johnson, espanhóis como o Peñin, críticos das revistas americanas como a Wine Advocate e Wine Enthusiast, além, é claro dos críticos portugueses de todas as mídias que o apoiam com prêmios e reconhecimento a toda hora.

 

 

É que ele tem como marca andar alçando os alvarinhos de sua terra a vinhos longevos e estruturados, mais do que costumam ser, atingindo vivacidade, mesmo após 15 anos rotulados. Com um trabalho de ourives, elege depois de anos de pesquisa o tempo sobre borras, determina o espaçamento entre as reviragens (batonage), escolhe o quanto de madeira, com que tipo de tosta, com o tamanho e origem determinados apenas de muito trabalho. Ora, direis, não faz mais do que a obrigação! Mas esta é a obrigação que diferencia, a obrigação de quem consegue atingir a excelência e é isso que Anselmo anda atingindo, ão apenas com seus grandes vinhos, mas com os menos pretensiosos também.

 

 

Os vinhos do topo são impagáveis, até porque são para quem pode, não apenas para quem quer - Parcela Única, Curtimenta e Expressões – todos a R$312,90, todos com ao menos 13% de álcool - falam da uva, da terra, do clima, do método e do homem com a mesma intimidade, são provas que o você pode não acreditar em terroir “mas que los hay, los hay”.

 

 

O Expressões e o Curtimenta são de parcelas outras, com a mesma concentração alcóolica, com a mesma madeira francesa de 400litros, de segundo uso, os mesmos 9 meses sobre borras totais, a mesma batonnage semanal... E no entanto se expressam com diferenças muito nítidas na boca e no nariz, o que só o terroir explica. Por tabela, o Parcela Única é de madeira nova, sua diferença, isso se nota, ele fica um tanto longe dos outros dois, mesmo sendo quase tão bom quanto.

 

 

Na degustação que participei no simpático e competente Tasca do João e da Maria, não ficou apenas nos grandes e premiados: descemos um patamar de preço e ficamos num vinho para quase mortais com o Alvarinho Melgaço, o vinho que lhe fez a fama, que lhe permitiu colocar em prática seus conhecimentos de enólogo maduro. A R$185,00 proporciona praticamente tanto prazer quanto seus irmãos mais caros, mostrando que a Alvarinho, quando bem tratada, pode ser muito mais do que uma uva que rende vinhos perfumados, agradáveis na boca e medianamente longevos. Os mesmos 13% de álcool, mas 6 meses de borras em barricas francesas de 400litros, permitem longevidade e elegância dificilmente encontrados em outras garrafas com esta uva.

 

 

Agradaram igualmente a trinca que leva o nome de Muros Antigos, o Loureiro, o Alvarinho e o surpreendente Avesso, que agora aparece num vinho todo seu, uma aventura recente, pois até então vinha num mix de nome Escolha, presente junto com as outras uvas da região mais conhecidas e nobres. Saiu-se bem, não melhor do que os outros, talvez porque cause estranhamento sua rusticidade calcária, seu traço dito mineral muito presente no final, causando menos equilíbrio na boca que seus pares (se fosse Chardonnay em Borgonha, iria mais para um Poully Fussé). Os Muros Antigos das 3 castas se colocam num patamar bem mais acessível de preço – R$74,30.

 

 

Finalmente, uma experiência, nova o suficiente para não ter menção no site oficial da casa – um Verde Tinto, o Pardusco, um vinho que apesar de completa a malolatática – o que o diferencia dos seus rústicos pares do Minho – passar rapidamente em madeira, não perde a tipicidade, cujos pontos altos são o frescor e a capacidade de harmonizar. 

 

 

É isso, diria que no fim, pareceu injusto a fama de ser o homem do Alvarinho, como se fosse o descobridor de uma uva nobre, como se fosse uma espécie de Nicolas Catena Zapata, a insistir numa uva até que ela se mostre integralmente.

 

 

Acho que não, Anselmo Mendes é um homem de sua terra, cuja auto-missão é reinventar todos os seus vinhos.

 

Anselmo Mendes é importado pela Decanter.





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