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É vinho, na lata

Por Guto Martinez

 

Quando se fala em transporte de vinhos, o que vem à nossa cabeça primeiramente é a garrafa, seguida das caixas já comuns em grandes mercados, ou os barris, que antigamente faziam mais que só guardar o vinho no envelhecimento, e até as antigas ânforas que tingiam a bebida com tonalidade alaranjada, mas hoje existe uma nova tendência: vinho em latinhas.

 

A novidade parece até óbvia, já que tantas outras bebidas já são comercializadas nesse formato. De refrigerantes a cervejas, e até mesmo bebidas destiladas, há uma infinidade de opções que se beneficiam da praticidade das latas de alumínio - e com um argumento a mais: o material é o único que pode ser reciclado indefinidamente.

 

Colocar vinho dentro delas, contudo, parece estranho ainda, uma vez que poucos se aventuraram a fazer isso, embora os números mostrem um crescimento no maior mercado do mundo:  crescimento de 700% entre 2012 e 2016, apesar do total ainda ser pouco relevante em números absolutos, que chegam aos US$ 15 milhões. Aliás, é nos EUA onde esta modalidade faz mais sentido: é proibido aparecer em público com bebidas alcoólicas, e latinhas são bem mais fáceis de disfarçar, já que parecem com refrigerante ou outras bebidas.

 

Os fabricantes buscam essa alternativa como um meio de introduzir o vinho em situações onde ele hoje não é consumido com naturalidade. Pense numa praia,  por exemplo, onde é difícil ter uma garrafa de vidro muito mais pesada, e taças adequadas para todos. Uma latinha gelada parece resolver o problema tanto do peso quanto da divisão, ainda mais porque as latas podem ser feitas em tamanhos menores, correspondentes a meia garrafa ou uma taça. E, assim como as garrafas de rosca (screw cap), não precisam de rolhas, sejam as de cortiça (muito mais caras) ou de material sintético (que poluem).

 

Contudo, há sempre as desvantagens. A primeira diz respeito a um dos maiores prazeres do vinho: a parte sensorial é gravemente prejudicada, pois os aromas não podem ser sentidos quando bebemos diretamente da latinha (e isso vale para todas as bebidas). Outra é exclusiva dos vinhos, pois a quantidade de ar residual que fica na lata não impede um envelhecimento, ou mesmo a oxidação do vinho, o que exige temperatura constante e guarda, evitando que a lata seja chacoalhada ou aqueça demais. Outro ponto negativo vem de um certo descaso com o consumidor, pois alguns produtores colocam apenas produtos de segunda ou terceira linha nesta modalidade de envase, algo que poderá mudar com a popularização.

 

O principal a saber é que a latinha é apenas mais uma forma de se beber o vinho, alguns dos quais são perfeitamente adaptados para este formato - pense num suave rosé gelado à beira do mar. Se quiser aproveitar integralmente a experiência, use uma taça também, já que a lata apenas substitui uma garrafa até a abertura. E aí, está preparado para uma latinha de vinho?

 

(Imagem: Taylor Miller - Buzzfeed)





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