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Os vinhos do Chile por Patricio Tapia

Por Silvia Cintra Franco

 

 

A última semana de outubro foi de puro frenesi junto a jornalistas e críticos de vinho: Patricio Tapia, respeitado jornalista e crítico, autor do Guia Descorchados, estava em S. Paulo para duas apresentações imperdíveis sobre os vinhos do Chile.

 

 

A primeira degustação no dia 28/10, Chile - 1996 a 2013, organizada pela Casa do Porto de Péricles Gomes, fez um retrospecto às cegas de 22 vinhos chilenos de safras de 1996 a 2013.

 

Às cegas é sempre muito mais interessante e iconoclástica, pois ninguém bebe rótulo, mas degusta de acordo com seus próprios cânones. Quer ver? Houve quem considerasse o tinto de n ° 17 um dos tintos mais simples do conjunto. E que vinho era este? Nada menos do que o Alma Viva 2011, muito jovem, um belo adolescente…

 

 

A segunda – Uma década. Vinhos excepcionais .Vertical Ícones do Chile –foi organizada pela Wines of Chile e se encontra em artigo ao lado, no dia 29 no Iate Clube Santos no bairro de Higienópolis em S.Paulo. apresentou duas safras distantes 10 anos de 6 rótulos de grandes tintos chilenos, selecionados por Patricio Tapia e  de safras frias para que pudessemos comparar a evolução. A degustação contou com a presença da sempre competente e risonha Cecilia “Casa Real Santa Rita” Torres.

 

 

O que esta degustação comprova é que o Chile já começa a diversificar e sair da mesmice. E o objetivo foi justamente buscar o sentido do lugar nos diversos vales chilenos.

 

 

Os tintos todos ou eram 100% cabernet sauvignon ou cortes com predominância da cabernet, uma casta muito interessante porque fala muito de seu território, comentou Patricio Tapia: cabernet sauvignon é a cepa que melhor interpreta os diferentes vales do Chile.

 

E nesta degustação também se constata que cabernet sauvignon no Chile não é tudo igual.

 

 

Tapia apresentou cabernet sauvignon de 4 zonas e acrescentou: é difícil generalizar o caráter do cabernet sauvignon.

 

Hoje o Chile está dividido em zonas: cordilheira, vale central e costa. 

O Vale de Aconcágua, a noroeste de Santiago é zona tradicional de cabernet sauvignon chileno, onde estão Don Maximiano Errazuriz e Seña.

É um vale mais quente, cálido como dizem os chilenos, com corpo mais amplo, álcool mais alto e com mentol. Dali vêm Don Maximiano Errazuriz e Seña.

 

 

O Vale do Maipo, a sudoeste de Santiago, é o melhor terroir de cabernet sauvignon. E aí que se originou a nobreza da cabernet sauvignon como diz Cousiño Macul. Ali tem-se experiência de 150 anos de fazer cabernet sauvignon. O Maipo oferece taninos muito punjantes, finos, aromas mentolados, fruta vermelha e acidez que refresca que vem da Cordilheira.

No Maipo estão Alma Viva, Santa Rita, El Principal, Haras de Pirque, Perez Cruz, Dom Melchior Concha y Toro.

 

 

Vale Rapel, no Colchagua, é a zona da carmenere. Daí vem Montes e Casa Lapostolle. E do Vale Rapel, no Cachapoal, vem Altair. Colchagua/Cachapoal, no Rapel oferecem notas parecidas às do Maipo, com predominância de acidez, estrutura fina, mas sem eucalipto/mentol. O sol faz vinhos mais amplos.

 

 

No Maule, ao sul do Chile, há de tudo, mais rústico em taninos e mais corpulento. Mais campesino, frutas e vinhos para comida pesada. 

 

Aproveite e confira no vídeo a breve entrevista que Patricio Tapia nos concedeu falando do lugar do Chile no mapa mundi dos vinhos e da diversidade de terroirs, terruños chilenos.  Não resisti a perguntar-lhe sobre seu costoso hobby de fazer vinhos. Anos atrás em visita à Casa Marin, Mariluz Marin apresentou-me  o syrah em tinaja (vaso de terracotta) de Patricio. Você pode conferir o que ele nos disse sobre o syrah e sobre o malbec que fez agora.

 

 

Notas de degustação

 

Chile, 1996 a 2013, na Casa do Porto

Degustação de 22 vinhos coordenada por Patrício Tapias e organizada por Pericles S. Gomes da Casa do Porto. Degustação por vales e anos: 1999, 2002, 2010, 2011. Todos vinhos de mais de R$250.

 

As notas, em caráter excepcional, pois em V&G não costumamos dar notas, aparecem ao final de cada comentário. 

 

Ao final da degustação, os rótulos foram revelados e por votação indicados os preferidos do grupo de jornalistas, sommeliers e enólogos presentes.

 

Os tintos mais apreciados foram os de números 12, 8 e empate entre 14, 15 e 19. Respectivamente: El Principal 1999, Chacai 2009 William Fevre. Empatados: Domus Aurea 2008, Enclave 2010 Ventisquero    e  Don Maximiano 2010 Errazuriz .

 

 

 

1)      Labirinto, enólogo Rafael Tirado, 2006 !!!+

Cabernet Sauvignon do Maule, Vale Central. Fino com eucalipto. Fresco em boca. Acidez pronunciada. Em boca taninos finos e longa permanência. vem da Cordilheira zona fria de Maule. Nota 100

 

 

2)   Erasmo 2007

Corte de cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot. 2007 foi um ano horrível. Cedro em nariz. Fruta madura, fechado ainda! Acidez muito pronunciada. Nota 80.

 

3)  Magia Negra 2009

Do Maule, Vale Central, enólogo Rafael Tirado.  

Corte de cabernet sauvignon, carmenere e malbec.  Chocolate, mentol, eucalipto, bem pronunciados em boca. Fino, acidez equilibrada, frutado, taninos mais punjantes. Herbáceo forte. Muita textura e muito tanino. Vem do Vale Central. Nota 80.

 

4) Manso Velasco 2009 Miguel Torres

Frutado, mentol, frutas vermelhas. Acidez boa, fino, elegante. Longo final. Nota 80,5.

 

 

5)  Los Vascos Lafite 2002

 Colchagua, Rapel. Animal e couro sobressaem no nariz. Sedoso em boca. Fino e elegante, embora amplo e generoso. Safra mais antiga e de zona mais quente. Caráter mais guloso da fruta. Nota 80,6

 

 

 

6)   Sideral 2006 Altair

Cachapoal, Rapel. Eucalipto, muito mentol,  muito herbáceo. Fino em boca, sedoso também. Nota 80,6

 

 

7)    Marques de Casa Concha 2010

Do Alto Maipo. Cedro e madeira. Ligeiramente mais herbáceo. Complexo e muito interessante. Acidez mais acentuada. Taninos finos. Gastronômico. Nota 80,4

 

 

8)   Chacai 2009 William Fevre

Alto Maipo. Chocolate, frutas maduras, aromas cativantes, doce no nariz. Em boca é fino, saboroso, longo final, fácil de gostar.  Nota 100.

 

 

9) Albis 2004 Haras de Pirque

Piracina, herbáceo, mentol. Taninos mais presentes, mais rústicos. Alto Maipo, uma das zonas mais frias. Nota 80.

 

 

10) Pircas de Liguai 2010 Pérez Cruz

Alto Maipo. Fruta, balsâmico, fino em boca, mas taninos mais pronunciados. Nota 80.

 

 

11) Lazuli 2005 Aquitania

Alto Maipo. Vem de Macul.

 Fechado, piracina, mentol. Fino em boca. Taninos finos. Nota 80,5

 

 

12) El Principal 1999

Alto Maipo. Aromas evoluídos, balsâmicos, complexidade. Em boca finesse, evolução, complexidade. Um vinho histórico, a última safra produzida por Jean Paul Vallet, pai de Patrick Vallet. Nota 100.

 

 

13) Não foi apresentado.

 

 

14) Domus Aurea 2008

Maipo. Eucalipto, herbáceo. Fino em boca, bons taninos, austero. Vinho de muita personalidade, tipo ame-o ou deixei-o. Nota 80,4.

 

 

15) Enclave 2010 Ventisquero

Do Maipo. Fresco, herbáceo, piracina. Amplo e generoso em boca, chocolate. Nota 80,5.

 

 

 

16). Casa Real Santa Rita 2007

Do Maipo. Fechado, mentol, piracina, complexidade. Fino em boca, boa acidez, boa persistência. Taninos mais potentes do que elegantes. Vinhas de 60 anos. Uma safra difícil. Nota 80,6

 

 

17) Alma Viva 2011

Do Maipo. Eucalipto, hortelã, fruta fresca. Sedoso em boca, saboroso. Chocolate. Noto 100.

 

 

18) Intriga 2010 MontGras  

De Colchagua, no Rapel. Balsâmico, mais fechado. Em boca é sedoso, boa acidez, fruta. Encorpado. Um best buy, R$100 Nota 80.

 

 

19) Don Maximiano 2010 Errazuriz

Do Aconcágua. Cedro, ligeiramente herbáceo. Generoso em boca, mas fino e elegante também. Encorpado. Nota 90,5. Este tinto também esteve presente na degustacão de Vertical de Ícones do Chile (vide em artigo ao lado)

 

 

20) Chadwick 2010

Maipo. Balsâmico, fechado. Piracina, herbáceo. Em boca finesse, belos taninos, muita elegância. Encorpado. Nota 90,5.

No consenso do grupo de críticos, jornalistas de vinho e enólogos os melhores vinhos foram os de número 12, 8 e empate entre 14, 15 e 19. É dizer: El Principal 1999; Chacai William Fevre e empate entre Domus Aurea 2008,Enclave 2010 e Don Maximiano 2010.

 

Uma degustação fantástica!

 

Os vinhos do Chile por Patricio Tapia
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