http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/93e048c28deae8015adbfe8c96fbefa9.jpg


Promoções

http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/0ebfed7b22d146d4cabdd13b7eb9dafc.jpg








Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Piccini, vinhos livres de amarras DOC e com leveza especulativa

Por Breno Raigorodsky

 

 

 

O tradicional nome Piccini, legítimo representante da primeira leva dos chianti  - que começou a se consolidar ainda no fim do século XIX e se consagrou integralmente na década de 1930, dentro e fora da Itália - alargou-se, primeiro por todos os cantos da Toscana, atingindo atualmente Montepulciano, Montalcino e Bolgheri, depois fora da Toscana, com vinhos em Orvieto e agora na Basilicata.

 

Bem mais do que isso, alargou-se no espírito, livrou-se das amarras dos DOC e passou a brincar de fazer vinhos, nem sempre tão sérios e determinados pela tradição. Mas a importadora Vinci não perde tempo, afinal vinho é realmente sério, e traz ao Brasil a Piccini.

 

Ótimo exemplo de leveza especulativa, a linha Memóro – homenagem à unificação italiana - sempre não apenas uma mescla de uvas vindas de toda a península itálica, mas quase sempre vinhos com vinificações deliciosamente diferenciadas. Vejam o tinto mais simples como é feito: 4 vinhas representativas de todo país, tendo o Montepulciano d’Abruzzo envelhecido em madeira por 12 meses + o cálido e jovem Nero D’Avola siciliano + o mais fresco Merlot vêneto + um late harvest (passito) primitivo da Puglia. Ou seja, várias uvas, diferentes safras, diversas vinificações!

 

Para quem saiu de 150 anos de papai-mamãe exigido pela denominação “chianti classico” é uma revolução e tanto, mesmo que bem apoiada em práticas locais, como as chamadas Governo Toscano e Governato Toscano, que permitem cortes atenuadores de tanino, seja com diluição com uvas menos potentes, seja com a colheita de uvas super-maduras e secas antes da fermentação.

 

Dos vinhos que chegam a nós, os chiantis e os brunellos fazem a lição de casa, são bons e típicos, comparáveis com os melhores do mercado. Chama atenção o Chianti genérico de rótulo laranja, um campeão de vendas, responsável por nada menos do que a metade de toda a produção da marca, presente nos melhores certificadores de vinhos de boa relação qualidade e preço do mundo. Fácil, típico, tradicional e moderno ao mesmo tempo, um ótimo produto.

 

Mas atenção mesmo vai para as surpresas menos concentradas:

 

1.     O Rosso di Montalcino, vinhaço em sua menor complexidade que seus irmãos mais importantes, sempre sangiovese grosso (brunello), 13,5% de álcool, seus oitos meses de toneis de madeira de mais de 2000 litros + os 12 meses de guarda em garrafa, resulta num vinho longo na boca, extremamente elegante e casadoiro, pois vai bem com uma gama extensa de pratos, trata bem tudo que tem gordura.

 

2.     O Memóro já citado, com seu jeitão novomundista, devido ao ataque frutado e adocicado resultante do primitivo vinificado em “Amarone di Valpolicella”, tem 14% de álcool, a madeira do Montepulciano permite café e fumaça no nariz, o primitivo tardiamente colhido garante frutas vermelhas bem adocicadas e a vinificação completa permite resulta num vinho redondo mas longo.

 

3.     Memóro branco, um dos melhores brancos com preço abaixo dos R$70,00 que já experimentei. Apesar de ser um viognier da Sicilia 40% + um chardonnay do Trento 30% + um vermentino da Maremma toscana 20% + um pecorino da região do marche 10%, há um equilíbrio mágico, entre flores, frutas como pêssego e pera, estrutura de grandes vinhos, frescor de vinhos jovens. Seus teoricamente exagerados 14% de álcool não se destacam, e garantem estrutura surpreendente.





Sobre o vinho e gastronomia Anúncie Segurança e Privacidade Trabalhe na V&G Comunicar Erros Redes Sociais Fale Conosco