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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Vinhos do Alentejo

Modernos uns, tradicionais outros, cativantes e deliciosos sempre!

 

 

Por Silvia Cintra Franco

 

Para quem viaja pelas terras do Alentejo salta à vista a paisagem ensolarada de pacíficas planícies, pontuada de sobreiros, as árvores que dão a cortiça.

 

Embora o Alentejo, a 130 km ao sul de Lisboa, seja considerada uma região das mais jovens em vinho para quem não é familiar à sua história, ela é também a mais antiga.

 

E de lá vêm vinhos de muita qualidade. Alguns míticos como o Pêra-Manca, que por aqui aportou em terrae brasilis em 1.500, na bagagem de Pedro Alvares Cabral. E outros bem recentes e interessantíssimos como o Selectio de Paulo Laureano, o Bigode, 100% Tinta Grossa, uma uva típica da região.

 

Mas nem sempre a vida por lá foi tão sossegada, conta-nos Rui Falcão, respeitado sommelier português, que esteve no Rio e em São Paulo em final de agosto (2013) em evento organizado pela CVRA, Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.

 

Nem havia como o Alentejo – que já fazia vinho antes da chegada dos romanos – ter uma vidinha sossegada como parece a quem atravessa suas planícies nas modernas autoestradas que cortam hoje Portugal. Suas terras são férteis, há espaço para cereais, vinhas e oliveiras. Parafraseando Caminha, lá em se plantando, tudo dá...

 

O Alentejo seguiu fazendo vinho, enquanto resistia e sucumbia às investidas de conquistadores os mais diversos, cada qual deixando a sua marca. Dessas, a que mais me fascina é o Templo de Diana, que os romanos construíram em meio à Évora, cidade encantadora que recebe os turistas de braços abertos. Mas por lá também passaram os visigodos, durante as invasões bárbaras e depois os mouros em 715.

 

Se você pensa que a islamização interrompeu a produção do vinho, engana-se! Mediante pagamento de imposto, tudo se ajeitava.



Ainda hoje se faz no Alentejo vinhos como se fazia há 2.300 anos atrás.

 

E como se fazia então? Rui Falcão explica: coloca- se o cacho nas ânforas de barro. O peso dos cachos de cima macera os de baixo. Inicia-se a fermentação e o controle de temperatura é igual que no passado. Controla-se a temperatura com água. Ao final do processo de fermentação, coloca-se azeite por cima do vinho para evitar - por impermeabilização - a oxidação. E como há uma torneira na parte inferior da ânfora, de lá se retira o vinho. Assim de simples. Algo que entrou na moda recentemente na Itália, França e Chile.

 

No século passado, os vinhedos foram tomados de assalto por um moderno conquistador, a ditadura (1926-1974), que estabeleceu que o Alentejo seria o Celeiro de Portugal, i.e., mandou arrancar todas as vinhas dos solos mais ricos e deixaram os de solos mais pobres e de montanha.


Com o fim da ditadura, em 1974, acaba também esta ordem absurda e com o advento União Europeia, chegaram recursos e investimentos para plantar vinhedos. Dai a coexistência entre tradição e modernidade, por conta do recente recomeço.

 

A modernidade no Alentejo trouxe novas castas, as francesas. Plantou-se quase todas as uvas, e fez-se blends ou cortes das uvas internacionais com as uvas portuguesas. As que melhor se deram bem foram syrah, depois cabernet sauvignon, petit verdot e alicante bouschet.

 

A mostra de vinhos trouxe 16 vinícolas alentejanas com seus mais recentes lançamentos, entre vinhos brancos, rosés e tintos. Foram elas Adega de Borba, Adega de Redondo/Barrinhas, Cartuxa – Fundação Eugénio de Almeida, Cortes de Cima, Enoforum - Carmim Group, Herdade do Mouchão, Herdade São Miguel, J. Portugal Ramos Vinhos, Monte da Capela, Outeiro de S. Romão, Paulo Laureano Vinus, Paço do Conde, Quinta do Zambujeiro, Sogrape Vinhos, Tapada do Fidalgo e Tiago Cabaço Wines .



Notas de degustação  de Ícones do Alentejo
 

O clima seco do Alentejo faz tintos ricos e maduros.


1) Pêra-Manca Branco 2010
Cartuxa – Fundação Eugénio de Almeida
Arinto e antao vaz, muito aromático.
A arinto traz os aromas cítricos deliciosos deste vinho. Untuoso em boca. Aromas de azeitonas. Mineral e salinidade. Citricidade e bela acidez. Cera. Um branco seco e estruturado. Equilibrado. Guarda de muitos anos, por volta de 15.
 

2) Tapada do Fidalgo Tinto 2008 !!!
Aragonez, trincadeira a alicante bouschet o corte mais tradicional do Alentejo.
Muita fruta, moderno. Sedoso, mentolado, herbáceo. Frutas vermelhas. Muito fresco e saboroso. Acidez final cativante. Suavidade de tanino e a acidez que fizeram grande parte do sucesso do Alentejo. Também no Brasil é o que mais vende, assim como em Portugal.



3) Cortes de Cima Syrah Tinto 2011
100% Syrah
Fruta em abundância. Fruta madura. Estrutura, maciez e sabor. Retrogosto interessantíssimo. Especiarias. Certa salinidade. Acidez muito oportuna.

 

4) Marques de Borba Reserva Tinto 2009 de J.Portugal Ramos !!!
Corte de aragonez, trincadeira, alicante bouschet e cabernet sauvignon.
Azeitonas pretas no nariz. Seco, tânico. João Portugal Ramos (já entrevistado por V&G) é um dos principais responsáveis pelo renascimento do Alentejo e foi o primeiro enólogo consultor que houve em Portugal. Em 1992 começa a fazer seus vinhos.
Muito fresco, estruturado, tânico, longa persistência. Grafite. Grande vinho. Complexo.

 

5) Herdade São Miguel Reserva Tinto 2009
Vinícola jovem de menos de 10 anos.
Aragonês, alicante bouschet e cabernet sauvignon.
Muita fruta e ameixa madura. Mel no nariz. Tânico e estruturado. Gastronômico. Guloso e recorda doce em compota.
 

 

6) Paulo Laureano Selectio Tinto 2010 !!!+
100% Tinta Grossa
Frutado, fruta madura, compota. Paulo Laureano é grande enólogo do Alentejo. Macio, sedoso, acidez cativante, saboroso, longa persistência. Salinidade, potência e vigor. Muita personalidade e guarda. É o mais exclusivo da série de vinhos degustados, apenas 500 garrafas ao ano.



7) Mouchão Tinto 2007
Alicante Bouschet e  trincadeira. O Mouchão é sempre corte de Alicante e um mínimo de trincadeira. Balsâmico, frutas bem maduras, madeira. Potente e músculos. Acidez correta.
Tradicionalíssimo. Como há 100 anos atrás. Para guarda.



8) Zambujeiro Tinto 2008 !!!
Aragonez, touriga nacional. Fruta e elegância. Algo licoroso. Potente, sedoso, saboroso, acidez maravilhosa. Taninos potentes e fantásticos.

 

Visite o Alentejo! E enquanto não viaja para a “terrinha” delicie-se com os vinhos do Alentejo!



 





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