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Corpus Christi: o Vinho como Sangue do deus

Por Silvia Cintra Franco

 

O feriado religioso de Corpus Christi tem na verdade sua origem muitos anos – ou séculos – antes do nascimento de Cristo. O ritual remonta às cerimônias em honra ao deus Baco, como se pode ver nestas peças de séculos antes de Cristo.

 

O ritual de beber o sangue do deus Dioniso ou Baco remonta às cerimônias em honra a Baco (seu nome romano) ou Dioniso, e estão ligados ao orfismo.

 


Orfeu, aquele mesmo que desceu aos Infernos para resgatar sua amada Eurídice, era um devoto de Baco e seus seguidores tinham como ritual beber o sangue do deus Baco, i.e., o vinho.

 

Aliás, Baco é o único deus da mitologia grega que aparece em esculturas também como um bebê, como uma criança e como um jovem (Hércules que às vezes comparece segurando uma serpente não é deus, mas um herói ou semideus.)

 

A transformação do ritual báquico em ritual cristão

As festas ou festivais em honra a Baco estavam tão impregnadas na civilização romana (conquistadora e herdeira da grega) que a Igreja Católica decidiu – já que não era possível erradicá-las – transformá-las em ritos cristãos. Por exemplo, o Solstício, no dia 25 de dezembro no hemisfério norte, uma data ritual e importante, foi transformada na celebração do nascimento de Cristo.

 

Assim, o costume de beber o sangue do deus Baco – que era o vinho – passou a ser o de beber o sangue de Cristo, uma transposição inspirada, sem dúvida, em rituais da mitologia greco-romana.

 

Daí também advém a missa, inspirada nos antigos rituais em honra à deusa Juno.

 

Neste rito que se dava no templo dedicado à deusa, havia o momento do ofertório, quando os fiéis entregavam suas oferendas (cordeiros, pombas, bois) e após este, as sacerdotisas de Juno consagravam os animais à deusa, coziam num lume junto ao altar partes dos animais e os davam aos fiéis que para comer.

 

No final do rito, a sacerdotisa voltava-se para os fiéis e dizia: “ite, missa est”. Para quem já assistiu à missa em latim, sabe que estas são as últimas palavras proferidas pelo sacerdote católico.

 

O fato é que o vinho era tão importante na antiguidade que acabou por ser identificado como o sangue de deus. Não raro o vinho era bebida mais saudável do que a água que tinham à disposição. Além disso, servia também para aliviar dores e como remédio, como aconselhava Plínio, o Velho, entre outros.

 

Portanto, este feriado de Corpus Christi pode muito bem nos recordar a fundamental importância do vinho na vida da humanidade, como alimento da alma e do espírito (se tomado moderadamente).

 

As fotos de peças usadas no serviço do vinho que celebram a importância de Baco estão do Metropolitan Museum de Nova York e do Fine Arts Museum de Boston. 

Corpus Christi: o Vinho como Sangue do deus
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