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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Os vinhos cheios de risco da Marcel Deiss

Silvia Cintra Franco


Foi por conta dos fantásticos rieslings do Domaine Marcel Deiss que fui à Alsácia. Seus brancos – rieslings, gewurztraminer e pinot blanc - têm algo especial, uma cremosidade de um lado e uma salinidade e mineralidade de outro que os tornam verdadeiramente especiais. E os proprietários Jean-Michel Deiss e a esposa, Marie-Hèlène, fazem questão de destacar que fazem vinhos de terroir, grandes vinhos de terroir. E fazem mesmo, sem medo de correr riscos para fazê-los.



Cheguei em plena época da colheita (setembro/2011), portanto com todo o mundo trabalhando freneticamente. Na cantina, lá estava Jean-Michel Deiss, o homem por trás do Domaine Marcel Deiss, manobrando febril e habilmente um pequeno trator. Os potiches, as caçambas amarelas que se vêem no vídeo, estavam cheias de uvas de pinot blanc, recém colhidas e selecionadas.

 

 

 

Celebração da diversidade


Domaine Marcel Deiss é uma vinícola que é uma ode à diversidade e à pluralidade da natureza. Onde as indústrias buscam o vinho coca-cola, os Deiss buscam a expressão do terroir mesmo que este venha com defeito de origem.  


Marie-Hèlène Deiss – que eu já conhecia do Encontro Mistral em São Paulo, - me diz que, em Marcel Deiss, o vinho se faz com uvas, totalmente biodinâmico, nada de química. Prensagens pneumáticas, suaves, longas, sem quebrar a pele da uva.

 

Uma vinificação sem padronização e cheia de riscos


As uvas prensadas seguem para a fermentação com leveduras selvagens, cheias de risco, nada de comprar no mercado as leveduras e as enzimas como faz a indústria do vinho. Vale recordar que a fermentação exige a ação das leveduras. Leveduras selvagens são as da própria uva.  Se elas falham, a fermentação pode ficar pela metade e o produtor sem vinho. Por isso, a indústria do vinho vai ao mercado comprar suas leveduras.



Jean-Michel prefere correr o risco. E como diz, com a diversidade de terroir que eles têm, ali não se pratica uma vinificação padronizada, usando a mesma cadeia tecnológica para todos os vinhos. Por isso, no domaine Marcel Deiss, a data de colheita, escolha de cuba (madeira ou inox), temperatura de fermentação etc. depende do terroir.



Para Jean-Michel, “o grande vinho é, antes de tudo, o resultado de um risco que se correu e sem o qual não se fazem grandes coisas. Sem risco, nada de liberdade, sem liberdade, nada de criação”.


Afinal para quem produz apenas 10 mil caixas de uma dúzia de vinhos o risco é grande, mas o amor à perfeição da natureza é ainda maior. Marie-Hèlène me diz que não há perfeição na natureza (perfeito é o plástico, penso eu, lisinho e sem conflitos), por isso os vinhos de Marcel Deiss expressam a natureza e trazem dali algum defeito bem natural...

 


Michel Deiss não filtra o suco antes de seguir para a fermentação, pois sabe que a filtragem vai retirar o que há de mais interessante que vem do terroir. Portanto, o suco da uva segue para fermentar junto com a casca e demais componentes.

Conheça Jean-Michel e Marie-Hèlène Deiss e o que eles pensam no vídeo (com legendas em português). Jean-Michel é uma figura carismática, cheia de vigor e energia. Confira!



Os vinhos


Degustei toda a linha de vinhos da Marcel Deiss, foi um prazer! E a primeira coisa que Marie-Hèlène me revela é que suas parcelas de vinhedos têm as cepas todas misturadas, é um melangé danado. Assim são seus brancos. Muitos deles feitos de podridão nobre, embora não sejam colheita tardia.


Os vinhos que mais me encantaram foram os que traziam uma salinidade expressiva, fruto do calcário, como o Mambourg Grand Cru, um vinhaço com personalidade, caráter e idiossincrasias, para se tomar de joelhos. Ali o respeito pelo terroir não é retórico nem peça de propaganda, é real. E tem mais: seus vinhos, mesmo que sejam do mesmo tipo de uva, diferem entre si porque vêm de diferentes terroirs. Marcel Deiss faz vinhos para gourmets!


Foi Ciro Lilla da Mistral e o Brasil, me diz Marie-Hèlène Deiss, o primeiro a importar seus vinhos há 25 anos, pela simples razão de que Ciro Lilla os amava. Agora toda a crítica elogia os vinhos de Marcel Deiss. Recentemente a Revue du Vin de France conferiu 18 pontos em 20 para o Burg Marcel Deiss. Uma prova de que há mais de 25 anos Ciro Lilla só importa o que importa, com o perdão do trocadilho.


A degustação

 


Os vinhos frutados –  vin d’um instant, vinhos do instante, castas tradicionais da Alsácia em terrenos comunais



Pinot Blanc d’Alsace 2010 de Bergheim é amplo e frutado, bela acidez, complexo, untuoso e cremoso na boca. E muita finesse e elegância. As uvas que se vêem no vídeo são pinot blanc, do mesmo terroir de onde vem este saboroso Pinot Blanc. R$80 na Mistral.

Gewurztraminer 2005 de St Hippolyte é um vinho explosivo, intenso, equilibrado, luxurioso. E não é um colheita tardia, embora seja feito com uvas que sofreram a chamada podridão nobre.



Vinhos frutados de apelação Grand Cru

Riesling 2009 de Altenberg de Bergheim Grand Cru tem uma acidez bela e madura e uma mineralidade muito fina. Um toque de petróleo. Este terroir faz vinhos desde o século XII, cujos textos da época já falavam de sua excepcionalidade. Uma beleza de riesling que pode esperar pelo menos mais 10 anos para ser bebido. Mas quem diz onde estaremos daqui a 10 anos? Beba já, pois está magnífico. Por R$122 na Mistral.




Os vinhos de terroir – espelho da paisagem


Burlemberg 2005 Premier Cru é um pinot noir de bela e forte personalidade, reflexo do terroir especial. Aromas frutados, fundo de boca de húmus e frutas de bosque. O solo é calcário e levemente vulcânico. Certamente daí a personalidade vulcânica deste vinhaço.

Rotenberg 2007 Premier Cru é um branco muito sedutor, de riesling e pinot gris com um aroma que entra na alma. Cítrico, com muita estrutura. Saboroso, carnudo e aveludado.

 


Recomendo também os Grand Crus, embora não estejam no Brasil: Langenberg um vinho floral para verão e primavera, perfeito para sushi e pratos crus. Burg, possante e mineral. Mambourg de forte salinidade, extra seco, volumoso e redondo em boca. Altenberg com um confit delicioso, rico e elegante. Schoenenbourg macio, rico, mineralidade delicada, esotérico. É, é isto mesmo que escrevi: esotérico. E olha que eu não sou nada esotérica, mas o vinho é.


 
 
Vinhos de terroir. E o que é terroir?


E o que é terroir? São muitas as definições e vou aproveitar para acrescentar mais uma, de minha lavra, mais interessante do ponto de vista do consumidor.
 
Pense em uma fruta ou bebida, ou produto agrícola que você realmente ama. Digamos café. Se você é fã de café, você já provou tantos que é capaz de dizer de onde vêm os melhores e as diferenças entre eles. Se o melhor café vem do cerrado de Minas, da Alta Mogiana ou do Paraná. E você também sabe tudo sobre a torrefação e sobre blends como o que vem da Itália, o Illy, que traz café da cooperativa de Guaxupé em seu blend.

Enfim, você sabe qual é a região que "faz" o melhor café e qual é a companhia que melhor trabalha os grãos de café da secagem à torrefação etc. Naturalmente para que esta região entregue o melhor café, ela deve reunir uma combinação complexa de fatores como composição do solo, topografia, insolação, ventos. Enfim, ela é um autêntico terroir e seus proprietários a tratam com respeito. Exatamente o que acontece no Domaine Marcel Deiss: terroir e natureza tratados com respeito e o vinho sem pesticidas e químicas. Vinhos com personalidade e caráter próprios. Deliciosos!

 

Os vinhos cheios de risco da Marcel Deiss
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