http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/93e048c28deae8015adbfe8c96fbefa9.jpg


Promoções

http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/0ebfed7b22d146d4cabdd13b7eb9dafc.jpg








Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Uma vertical do mítico Ornellaia

Silvia Cintra Franco

Ornellaia é um mítico supertoscano, um bordeaux de Bolgheri, Toscana, que poucos têm a possibilidade de provar. 

 

Um Bordeaux mediterrâneo como destaca Alessandro Lunardi, diretor de marketing da Tenuta dell’Ornellaia para os Estados Unidos e em breve  para o Brasil, que ele visita em maio deste 2012.  Bolgheri fica muito próxima à costa na Toscana e é favorecido pelos ventos marítimos e pelo clima mediterrâneo. É um "bordeaux" com especificidades próprias.


Por sorte eu estava no lugar certo e no tempo certo para aproveitar esta rara oportunidade, que aconteceu ontem, dia 22 de janeiro, em seminário fechado da Boston Wine Expo. Eu já havia provado alguns dos vinhos deles em 2007 numa visita à Tenuta dell’Ornellaia.

 

Hoje Ornellaia conta com 92 hectares de vinhedos e quatro variedades plantadas: cabernet sauvignon (a maior parte), merlot, cabernet franc  e petit verdot. A região não é propícia à sangiovese e é perfeita para as variedades bordalesas.


Quando indaguei a Alessandro Lunardi se houve alteração do  Ornellaia após a venda da Tenuta por Lodovico Antinori (seu primeiro proprietário e idealizador)  à Frescobaldi, a resposta foi sucinta:  em 1996, poucos anos antes da venda, o total da produção era de 26 mil garrafas ao ano. Após a venda à Frescobaldi, a produção caiu pela metade e introduziram um segundo vinho, o Le Serre Nuove dell’Ornellaia, e dentro dos padrões de segundo vinho dos grandes châteaux de Bordeaux.  Entretanto, Mister Lunardi, como se diz por aqui, fez questão de frisar que Frescobaldi é uma questão financeira e a administração da Tenuta dell’Ornellaia se faz na Tenuta. E os vinhos tampouco se devem ao enólogo, pois Ornellaia já teve diversos winemakers.  Ornellaia é um vinho de terroir.  

Pois vamos à degustação. Eram seis Ornellaias para degustar e aqui estão apresentados na ordem da degustação.

 

Le Volte dell’Ornellaia 2009 Toscana IGT


Corte de 50% merlot, 30% sangiovese e 20% cabernet sauvignon.
Nos EUA custa ao consumidor US$20 e você encontra nos bons supermercados.


Notas de degustação: A sangiovese é comprada. É um vinho para o dia-a-dia, boa acidez, bons taninos, saboroso, companheiro da comida e da conversa boa com os amigos. Aromas intensos frutados e de especiarias e sem traço de fruta ultra madura. Sedoso no palato, bem equilibrado.


Condições climáticas e de vinificação: Maturação precoce por questões do clima, principalmente a merlot e a colheita começou mais cedo, início de agosto.  As castas são fermentadas separadamente em pequenos tanques de inox para manter intacta a característica da cepa. A malolática segue também em inox. O vinho envelhece por 10 meses em barricas pequenas de carvalho francês de terceiro uso, 2 a 4 anos de idade, que já serviram ao grande Ornellaia.



Le Serre Nuove dell’Ornellaia 2009 Bolgheri DOC Rosso


Corte de 54% merlot, 31% cabernet sauvignon, 5% cabernet franc e 10% petit verdot.
Tem o DNA, o pedigree e uma textura em boca similar ao Ornellaia. Nos EUA, preço a consumidor por US$55.

 

Notas de degustação: É o segundo vinho da casa, nos moldes dos segundos vinhos de chateaux de Bordeaux.  Este da safra 2009 é o primeiro com predominância de merlot.
Aroma intenso de fruta negra madura (como, aliás, se verá nos demais dos outros anos), na verdade uma geléia de fruta e um nada de especiarias. No palato, redondo, cremoso, muito saboroso. Taninos finos, boa acidez (não tão pronunciada quanto o Le Volte com os 30% de sangiovese). Um pouco mais alcoólico que o Le Volte, mas equilibrado e de longa persistência. Um segundo vinho que sai de primeira, uma beleza.


Condições climáticas e de vinificação: condições climáticas iguais ao vinho anterior da mesma safra.  
A vinificação: as uvas são colhidas em cestas de 15 kg e selecionadas à mão antes e depois da destemming (retirada dos galhos) e passam por uma delicada prensa. Cada casta de cada parcela é vinificada separadamente. Fermentação primária em inox a 26ºC e 30ºC por uma semana, seguida por maceração de 10 a 15 dias. A fermentação malolática começa em inox e se completa após o vinho passar a barricas (sempre francesas) 25% novas e 75% de um ano de idade. O vinho permaneceu nas barricas em temperatura controlada por volta de 15 meses. Após os 12 primeiros meses, castas e parcelas são reunidas e retornaram às barricas para mais 3 meses. Após engarrafamento o vinho envelheceu mais 6 meses antes de ir a mercado.




Ornellaia 2008 Bolgheri DOC Superiore


Corte de 54% cabernet sauvignon, 27% merlot, 16% cabernet franc e 3% petit verdot.
Preço no mercado americano por volta de US$200.


Notas de degustação: No visual é intenso e profundo rubi. No nariz frutas bem maduras, notas balsâmicas e de tabaco com traços de ervas mediterrâneas, ou mesmo provençais. Um vinho intenso, raçudo e vigoroso, profundo e complexo de longa persistência.  Taninos poderosos, mas finos, sedosos. Grande potencial de guarda.


Condições climáticas e de vinificação: 2008 foi um ano frio, primavera chuvosa e as chuvas acabaram reduzindo a produção da vinha. Verão quente colaborou para uma satisfatória maturação. A maturação da  cabernet sauvignon foi favorecida com a melhora das condições climáticas por conta de seu amadurecimento mais tardio.


A vinificação: idêntica a do Le Serre, à diferença de que a fermentação malolática ocorreu primeiramente em barricas de carvalho, 70% novas, 30% usadas apenas uma vez. O vinho permaneceu em barricas por 20 meses. Após os 12 primeiros meses, castas e parcelas são reunidas e retornaram às barricas por mais 8 meses. Após engarrafamento o vinho envelheceu mais 10 meses antes de ser liberado para o mercado.

 



Ornellaia 2007 Bolgheri DOC Superiore


Corte 55% cabernet sauvignon, 27% merlot, 14% cabernet franc e 4% petit verdot.
Preço no mercado americano por volta de US$200.


Notas de degustação: um vinho fácil de beber. Tem a vibração e a acidez que acompanham um bom papo e a refeição. Provavelmente por efeito do ano mais frio.
No nariz, um frutado equilibrado, carvalho e especiarias com notas balsâmicas. Na boca é veludo; cremoso, redondo,  luxuriante, embora mais magro do que o Ornellaia 2008. Taninos muito macios, persistente. Um vinho fácil de amar e de recomendar.


Condições climáticas e de vinificação: 2007 foi mais frio e menos chuvoso do que 2008. Com um setembro perfeito para fazer uma maturação adequadamente vagarosa, maturação consistente sem excessos.


A vinificação: idêntica a do Le Serre, à diferença de que a fermentação malolática ocorre primeiramente em barricas de carvalho, 70% novas, 30% usadas apenas uma vez. O vinho permaneceu em barricas por 18 meses. Após os 12 primeiros meses, castas e parcelas são reunidas e retornaram às barricas por mais 6 meses. Após engarrafamento o vinho envelheceu mais 12 meses antes de ser enviado ao mercado.




Ornellaia 2005 Bolgheri DOC Superiore


Corte 60% cabernet sauvignon, 22% merlot, 14% cabernet franc e 4% petit verdot.
Preço no mercado americano por volta de US$200.


Notas de degustação: Um vinhaço austero, pungente no nariz. Na verdade, no primeiro momento, quando comecei  a comparar os aromas taça por taça, os aromas deste Ornallaia 2005 eram um escândalo de tanta fruta madura e geléia de fruta. Mais tarde acalmaram (os vinhos já estavam servidos nas taças pelo menos 30 minutos antes de iniciar a degustação propriamente dita).


Rubi profundo e brilhante no visual. É um vinho austero, refinado e elegante. Os aromas, após o tsunami aromático inicial, se mostraram então complexos e frescos com notas balsâmicas e de tabaco. No palato, sedoso, mas austero, mais evoluído, puro e afiado.


 Efetivamente muito elegante, com uma elegância sóbria. Mais elegante do que o Ornellaia 2008, que ainda é jovem, vamos dar um desconto aos adolescentes.


Condições climáticas e de vinificação: 2005 foi um ano bem mais frio, com os meses e o tempo favorecendo as vinhas. Já em agosto se previa uma safra grande em qualidade, o que se confirmou depois.


A vinificação: idêntica a do Le Serre, à diferença de que a fermentação malolática ocorre primeiramente em barricas de carvalho, 70% novas, 30% usadas apenas uma vez. O vinho permaneceu em barricas por 18 meses. Após os 12 primeiros meses, castas e parcelas são reunidas e retornaram às barricas por mais 6 meses. Após engarrafamento o vinho envelheceu mais 12 meses antes de ir a mercado.

 

 


Ornellaia 2001 Bolgheri DOC Superiore


Corte 65% cabernet sauvignon, 30% merlot, 5% cabernet franc.
Preço no mercado americano: nem tem preço, uma raridade. Como diz Alessandro Lunardi no vídeo, um presente especial poder degustar o Ornellaia 2001.


Notas de degustação: é o mais elegante deles todos. Visual evoluído, mas apenas ligeiramente atijolado. Aromas de frutas negras e vermelhas maduras, complexo. No palato, evoluído, elegante, macio, com taninos ainda presentes, mas muito bem integrados e suaves. Bom corpo e estrutura e looooooonga persistência. Um belíssimo vinho.


Condições climáticas e de vinificação: 2001 com inverno de temperaturas amenas e poucas chuvas. Boas condições para as uvas desenvolverem uniformemente.  foi um ano bem mais frio, com os meses e o tempo favorecendo as vinhas. Já em agosto se previa uma safra grande em qualidade, o que se confirmou depois.


A vinificação: idêntica a do Le Serre, à diferença de que a fermentação alcoólica aconteceu parcialmente em fermentadores de madeira de média capacidade e parte em tanques de aço inox de temperatura não superior a 30ºC. Cada cepa e parcela vinificada separadamente. A maceração pós fermentação durou em média 25 a 30 dias, após o que o vinho foi transferido para barricas francesas, 70% novas, 30% usadas apenas uma vez. A fermentação malolática se completou nas barricas.  O vinho permaneceu em barricas por 18 meses a temperatura controlada. Após os 12 primeiros meses, castas e parcelas foram reunidas num máster blend e o vinho reintroduzido às barricas e ali ficou por mais 6 meses. Após engarrafamento o vinho envelheceu mais 12 meses antes de ir a mercado.



A degustação foi realmente excelente e teve apenas um defeito: as taças poderiam ser melhores para um vinho desta qualidade.


Ao sair da sala, na mesa de serviços, dispostas as garrafas e na garrafa do Ornellaia 2001 ainda restava um tantinho de vinho. Resistir, quem há de? Virei o vinho na minha taça para levar à minha carona e irmã, Patricia Schram -, que leciona na Escola de Medicina da Harvard -  e que me esperava pacientemente lá fora. À saída, antes de eu deixar o prédio , o guarda me segurou: o que você tem aí? , perguntou entre amável e enérgico. Vinho, claro. Aí eu soube o que eu já sabia, mas não queria lembrar: é ilegal em Massachussetts sair com bebida na mão. Com muito pesar, entornei em três goles a taça de um vinho que merece ser bebido, saboreado, com muita calma e atenção.






 

Uma vertical do mítico Ornellaia
Uma vertical do mítico Ornellaia
Array
Uma vertical do mítico Ornellaia
Array
Uma vertical do mítico Ornellaia




Sobre o vinho e gastronomia Anúncie Segurança e Privacidade Trabalhe na V&G Comunicar Erros Redes Sociais Fale Conosco