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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Vinho x garrafa. Não existem grandes vinhos, mas grandes garrafas!

Quando a garrafa não está bem, quem leva a culpa é o vinho!

 

Por Silvia Cintra Franco



Não raro aqueles que adquirem uma caixa do mesmo vinho percebem, com desprazer, que uma garrafa parece diferente. 

 

Pode-se observar isto também em degustações e masterclass em que um dos vinhos parece "andar de lado", isto é, está esquisito. Nesta hora, a solução é perguntar ao degustador do lado se o vinho dele é o mesmo que o nosso. E a resposta invariavelmente é a de que o vinho da nossa taça vem de uma garrafa com problema.

 

A Decanter Magazine traz em sua edição de junho/2013 esta questão e resume: a verdade é que não existem grandes vinhos, existem grandes garrafas.

 

E o dito se prova verdadeiro a cada degustação em que são abertas inúmeras garrafas do mesmo vinho para um grande número de degustadores.  


E quanto mais velho o vinho, maior o risco de "variação da garrafa"!
 

 

A variação da garrafa


E o que é a variação da garrafa? Prosaicamente falando é o fato de que dois vinhos provenientes do mesmo produtor, mesmo rótulo, mesma safra,  mesmo tudo, podem ser diferentes, com sabores e gostos diversos, por conta da variação das garrafas.

Richard Hemming, autor da investigação e artigo publicado na Decanter, aponta para variações que ocorrem antes e depois do engarrafamento.

Há casos de variação entre garrafas como o do Schild Estate's 2008 do produtor australiano Barossa. A demanda pelo vinho foi tão grande que Barossa comprou 60.000 litros de shiraz de outros produtores e engarrafou sob o mesmo rótulo! Dá-lhe cara de pau! Mas no passado, já houve muito vinho francês com uvas provenientes da Argélia...


Entretanto, este caso de engarrafar vinhos diferentes sob o mesmo rótulo não é a única causa de variação entre garrafas. Pode-se reduzir a variação com o engarrafamento simultâneo de todo o vinho e não por parcelas, conforme a demanda. Entretanto, ainda assim pode haver variações.


 

Os cinco fatores de variação entre garrafas



Richard Hemming lista 5 fatores que concorrem para a alteração do vinho. Seriam cinco variáveis: tempo, tamanho da garrafa, fechamento da garrafa, condições de transporte e armazenamento e o nível dos gases dissolvidos, especialmente oxigênio e dióxido sulfúrico ou dióxido de enxofre.

Estas variáveis influenciam a extensão da hidrólise, da esterificação, da oxidação, da redução de leveduras e bactérias, especialmente Brettanomyces, todos elementos que contam na evolução do vinho.

Os vinhos também podem ser alterados pela cortiça, pelo calor e pelo  excesso de raios de luz ultravioleta a que as garrafas possam ter sido expostas.

Influência 1. Os Gases


O dióxido sulfúrico é adicionado ao vinho para preservá-lo, é dizer, é acrescentado para ocupar o espaço do oxigênio, e assim  reduzir os riscos da variação. Portanto, quanto menos SO2 na garrafa, provavelmente mais O2 na garrafa e, consequentemente, maior o risco de ocorrer uma variação de garrafa. Daí a razão de que diversos vinhos orgânicos de baixo conteúdo de SO2 exalam aromas desagradáveis que lembram poleiro! Os vinhos do brasileiro Marco Danielle, Fvlvia, por exemplo, é um belo vinho, com baixo teor de SO2 e, por isso, deve ser decantado por muitas horas. Vale lembrar que o SO2 preserva o vinho do oxigênio, mas afeta algumas pessoas que sofrem de dor de cabeça por sua causa.



Influência 2. Armazenamento e transporte


O calor influi muito nas condições do vinho. E a umidade influi nas condições da rolha. Temperaturas altas aceleram as reações que influenciam na variação das garrafas, o que, certamente, não é bom para o vinho contido na garrafa.



Influência 3. Fechamento da garrafa

Segundo o produtor Jacques Lurton, a rolha de cortiça não consegue evitar totalmente a variação das garrafas. Aliás, Lurton é enfático, diz que é impossível. Deve ser por isso que Amorim, o rei das rolhas de cortiça, está oferecendo ao mercado um novo tipo de rolha, a Helix da qual falaremos proximamente. Para Lurton, embora não seja perfeita, a melhor rolha é a de rosca, a screwcap. E não é de admirar que os vinhos da Nova Zelândia, brancos ou tintos, usem screwcap.


Influência 4. O tempo

O tempo é um fator inexorável e à medida que a poeira vai grudando no casco das garrafas, o risco de variação aumenta.



Influência  5. O tamanho da garrafa


A velocidade da maturação se altera com o tamanho da garrafa.
Quanto menor a garrafa, mais depressa o vinho evolui, porque há mais oxigênio ali contido. Por isso, cuidado ao adquirir vinhos de safras muito antigas em garrafas pequenas. Por outro lado, adquira sempre que puder as chamadas Magnum, onde o vinho envelhece com maior tranquilidade, já que há proporcionalmente muito mais vinho do que oxigênio.

 

Moral da história, nem sempre a culpa é do vinho! Pode ser culpa da garrafa, mas também pode ser da taça! Ah, mas esta é uma discussão que merece uma outra matéria. Aguarde!





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