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A Toscana Dividida?

Originalidade e História em jogo. A diferença entre Brunello, Rosso e Morellino

 

Silvia Cintra Franco

 

Se tudo é sangiovese, a principal uva da Toscana, qual é a diferença entre Brunello di Montalcino, Rosso di Montalcino e Morellino di Scansano? E que diferença fazem na minha pizza ou na minha pasta?

 

Pois, recentemente a Toscana esteve metida em discussões e votação se deve ou não permitir a mistura de castas francesas com a sangiovese no seu famoso Rosso.

 

O Marchese Piero Antinori – genial criador do Tignanello – declarou à Decanter que o vinho Rosso di Montalcino iria se beneficiar com a adição das variedades francesas como cabernet sauvignon e merlot, já que nem sempre o Rosso se sai bem, com variações de safra e consistência e ajudaria os pequenos produtores a produzir vinhos de qualidade mais consistente. Mas foi logo avisando que a tal adição jamais aconteceria com o intocável Brunello di Montalcino...

 

Por enquanto, os partidários da pureza e da originalidade do Rosso levaram a melhor e as castas francesas – chamadas eufemisticamente de internacionais e que fizeram a fama de supertoscanos como o Tignanello – continuarão de fora.

 

Dois representantes de importantes e tradicionais vinícolas da Toscana estiveram no Brasil na semana passada: Raffaella Federzoni da Fattoria dei Barbi e Giacomo Neri da Casanova di Neri. Ambos defenderam a pureza e a originalidade do Rosso. E olha que Giacomo Neri produziu um fantástico Cabernet Sauvignon 2005! Mas para ele misturas no Rosso, jamais!

 

Para Raffaella Federzoni da Fattoria dei Barbi a adição de outras castas tornaria mais fácil de entender o Rosso, mas iria também reduzir a personalidade e a tipicidade do Rosso di Montalcino. Para ela, Montalcino faz vinho há um milênio e estuda a sangiovese há séculos. Não há porque mudar, afinal não se deve perder o sentido do lugar e o vinho em Montalcino traz esta expressão.

Giacomo Neri, proprietário da Casanova di Neri, acredita que é melhor  não mudar o Rosso, por ser um vinho de grande personalidade e expressão de terroir. E o resultado dos votos (contra a adição de outras castas) foi a melhor solução para o futuro di Montalcino.

 

Se tudo é sangiovese, qual a diferença entre Rosso, Brunello e Morellino?

 

A sangiovese é a principal uva da Toscana e dá aos vinhos grande elegância, versatilidade, acidez e complexidade. É a uva perfeita –como as outras uvas nativas- para acompanhar a saborosa cozinha italiana.  

 

Rosso em italiano, conta Raffaella (no vídeo em inglês), significa vermelho e Brunello na cidade de Montalcino significa escuro, assim como Morellino na cidade de Scansano significa escuro. Portanto, a sangiovese leva o nome local de brunello em Montalcino e morellino em Scansano. E no Rosso a sangiovese produz um vinho alegre e jovem, para se tomar novo.

 

O mítico Brunello – sonho de consumo de muitos – é feito com um clone especial da sangiovese, vem de pequenas áreas demarcadas e garantidas (não mais do que 6.600 garrafas por hectare) e envelhece pelo menos 5 anos após a colheita, sendo dois em barris e 4 meses afinando na garrafa antes de ser liberado ao mercado. Logo, em 2011, o Brunello que chega ao mercado é o de 2005. Haja dinheiro para manter este vinho guardado em estoque por tantos anos! Mas em compensação você pode guarda-lo por décadas, porque ele só faz melhorar!

Rosso di Montalcino é o irmão mais jovem do Brunello. Mais barato e frutado, é uma alegria. Com pizza, massas, carnes, uma beleza. Para tomar sem maiores cerimônias. O mesmo com o saboroso Morellino di Scansano, um tinto um pouco mais rústico (muito apreciado) e para se tomar jovem também.

 

A Toscana, uma terra de vinhos desde os etruscos

 

A Toscana conta com 11 Denominações de Origem Controlada e Garantida e nada menos do que 38 de Origem Controlada. Uma região de vinhos singular, como poucas porque é original. Seus vinhedos são vinhedos com castas autóctones, com uvas nativas, seu terroir é única e, além disso, conta com a história e a tradição.

 

De lá vem a Vernaccia di San Gimignano, o Chianti Classico, o Vino Nobile di Montepulciano, o Monteregio di Massa Maritima entre outros.

 

O Vernaccia di San Gimignano já era louvado por Dante Aliguieri em 1276 no canto do Purgatorio, um vinho: che bacia, lecca, morde, picca e pinge”, seco, aromático que pica a língua agradavelmente.

 

A sangiovese é a principal uva da Toscana e dá aos vinhos grande elegância, versatilidade, acidez e complexidade. É a uva perfeita –como as outras uvas nativas- para acompanhar a saborosa cozinha italiana.

 

Está permitida a dição de uvas francesas ao Chianti Classico, desde que a sangiovese compareça com um mínimo de 80%. Merlot é uma das variedades usualmente acrescentadas.

 

Vino Nobile di Montepulciano está no coração da Toscana e deve apresentar pelo menos 70% da Prugnolo Gentile, um biótipo da sangiovese que existe apenas em Montepulciano. Enquanto o Rosso di Montalcino é feito de uvas de vinhedos mais jovens, o Vino Nobile é feito de vinhedos mais velhos.

 

O Brunello di Montalciono é uma invenção do século passado de Ferruccio Biondi Santi. É um vinho difícil de elaborar, 100% sangiovese grosso, um clone especial da sangiovese chamado Brunello, belo moreno. Deve amadurecer mais tempo do que os demais vinhos italianos: quatro, sendo dois anos em carvalho e dois afianando em garrafa  para o brunello comum e cinco anos no caso do riserva, sendo que dois anos e meio em carvalho. Um vinho de guarda. 

 

A Toscana é uma região que vale uma viagem de férias, pois é tão bela e especial quanto seus vinhos.

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