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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Serra Gaúcha: uma mudança da água para o vinho!

A Serra Gaúcha e o vasto balcão de degustações da Michelon têm um lugar especial nas minhas recordações de menina moleca curiosa. Era o tempo do país fechado em si, importações e trocas com o exterior praticamente proibidas e carros e vinhos brasileiros sem qualidade. Os carros eram carroças e os vinhos repletos da aspereza dos taninos. Era um tempo pré-abertura dos portos, bem antes da Segunda Abertura dos Portos (a primeira se deu com Dom João VI) que aconteceu no início dos anos 90. Antes disto éramos todos reféns do mercado interno e o vinho brasileiro existente lá em casa era o da vinícola Granja União.

Pois a semana passada fui a convite do Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho – fazer uma visita à Serra Gaúcha e participar da Avaliação Nacional da Safra 2010. Devo confessar: uma mudança da água para o vinho! com o perdão do trocadilho. Absolutamente surpreendente! Na área ocupada pela velha Granja União, ali estava a Luiz Argenta, uma vinícola moderna, exuberante em tecnologia de ponta, equipamentos e também e principalmente know-how. O enólogo Edgar Scortegna estudou na Itália, viajou o mundo e está a par do que acontece lá fora. O transporte do vinho dentro da cantina se faz por gravidade, as videiras são todas européias com baixa densidade de frutos por pé, a fermentação ocorre em tanques de aço com temperatura controlada pelo enólogo a partir de seu celular e de seu laptop. Como raramente vi em minhas andanças pelo mundo vinícola além e aqui mar. Degustamos seus espumantes, deliciosos na cor e no sabor, borbulhas mágicas que escondem tecnologia etrabalho tenaz em busca de qualidade.

Outro susto – susto bom, claro - foi a visita à Escola de Gastronomia da Universidade de Caxias do Sul e ligada ao ICIF – Italian Culinary Institute for Foreigners. Foi criada com o dinheiro e o empenho dos empresários do vinho de Flores da Cunha. Tecnologia e know how de primeiro mundo com o chef instrutor Mauro Cingolani praticando uma gastronomia de altíssima qualidade. Eu que pensava que ia passar a semana toda na base do cappelletti ao brodo, polenta e galeto tive o prazer de constatar que ali em Flores da Cunha há um pólo de excelência na área. Entretanto, não só na Escola de Gastronomia, mas também na vinícola Viapiana e na Don Giovanni a gastronomia é um prato servido com capricho e técnica saborosa.

A Viapiana faz um bom Cabernet Sauvignon e seu espumante foi premiado em Bruxelas. Oferece em seu Enoespaço, a Napa Valley brasileira como a apelidamos, degustações harmonizadas com seus vinhos num ambiente que reúne modernidade de primeiro mundo e a recepção acolhedora da gente do sul. Outra Napa Valley brasileira é a Casa Valduga que preserva a tradição, mas trabalha com tecnologia de ponta e investe firme no enoturismo.

Na Don Giovanni o ambiente também preserva a tradição e favorece o entendimento de como se faz o vinho. Afinal Ayrton Giovannini foi professor de enologia em Bento Gonçalves e faz questão de expor artefatos antigos e garrafas de espumantes com as leveduras dentro para que o visitante compreenda como se faz e como já se fez o vinho. “A razão da melhora dos vinhos brasileiros é a melhora nos vinhedos. O que faltava era trabalho nos vinhedos” diz ele. Algo que há alguns anos eu ouvi diretamente do próprio Michel Chapoutier – o homem do Rhône que está na vanguarda do progresso na viticultura: o vinho se faz no vinhedo.

Ah, mas na Serra Gaúcha nem tudo é modernidade plena, a região vive uma transição interessante do antigo para o novo. Vinícolas de ponta como a Salton, a Luiz Argenta e a Cave Geisse convivem com outras como a Valmarino que ainda estão percorrendo o cu$to$o caminho que leva à modernidade. Da Valmarino recomendo o Cabernet Franc e o Espumante Rosé. É de lá também que sai o Churchill, um Cabernet Franc que passa 18 meses em barrica franco americana Canton.

Ah e existem também as vinícolas butique como a Lídio Carraro com bons vinhos de pequena produção como o acessível Dádivas, o vinho ícone Quórum Merlot 2005 e o saboroso Singular Teroldego 2007 com aromas de cacau, frutas negras, café ecomplexidade. A Lídio Carraro é uma vinícola pequena, mas atirada, que já exporta para vários mercados.

A Asprovinho que reúne 110 produtores da região de Pinto Bandeira acaba de obter a primeira titulação – a de Indicação de Procedência – caminho para chegar à famosa DO: Denominação de Origem que as vinícolas do Vale dos Vinhedos estão perto de receber.

A boa notícia para o consumidor brasileiro é que a Serra Gaúcha dos meus tempos de menina segue encantadora, mas seus vinhos deixaram de ser rústicos para ganhar em elegância e sabor. Para quem quiser mais detalhes sugiro uma visita ao meu blog: http://silviafranco.wordpress.com

 

 

 

 

Serra Gaúcha: uma mudança da água para o vinho!
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