http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/93e048c28deae8015adbfe8c96fbefa9.jpg


Promoções

http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/67dd6359d5ca9d6d89ab39f98880b956.jpg








Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

De Martino radicalizou!

 

Nada de vinhos padronizados. Seus vinhos têm expressão e DNA próprios!

 

Por Silvia Cintra Franco

 

O Chile é, sem dúvida alguma, o país a descobrir. Porque dele, a grande maioria dos brasileiros conhece apenas a carmenere. E que desperdício!

 

Nem se suspeita - com a diversidade de terroirs à disposição de nosso "vizinho" do Pacifico - de que eles estão fazendo belíssimos vinhos de insuspeitadas castas como a cinsault, a carignan, a syrah, a pinot noir, a chardonnay e tambem a malbec. Aliás, eles já atravessaram a Cordilheira e também estão fazendo vinhos em Mendoza...

 

A destacar a De Martino, vinícola fundada em 1934, hoje na quarta geração, e que tem vinhedos por todo Chile, já que busca o lugar mais apropriado para cada variedade. A importação é da Decanter.

 

De Martino - que já foi famosa por seus carmeneres opulentos e amadeirados - é reconhecida hoje pela sutileza de seus tintos sem madeira ostensiva - e tem vinhedos de cabernet sauvignon em Cachapoal com um impressionante Cabernet Sauvignon Gran Família de vinhas velhas, um chardonnay fantástico, o Quebrada Seca, do vale de Limari, e um soberbo syrah de Choapa. E são deles os mais altos vinhedos chilenos, em Elqui de onde vem um magnifico tinto, o Alto Los Toros, um blend de syrah e petit verdot. A cinsault e a moscatel vem do vale de Itata, o Piemonte chileno, que se percorre a cavalo e se trata com calda bordalesa.

 

Para tanto, analisaram solos e trabalharam com o Doutor Terroir, Pedro Parra.

 

O estilo De Martino hoje

Os vinhos amadeirados ficaram para trás. Em 2011 a De Martino se comprometeu em acabar com a padronização, em que os vinhos todos se parecem, não têm identidade, onde se faz a colheita tardia para obter uvas muito maduras e açucaradas, coloca-se muita madeira, muita levedura, tudo muito para agradar o poderoso crítico norte-americano Robert Park cujas notas altas têm o condão de baixar estoques... Resultado? Os vinhos no mundo de hoje se parecem bastante. 

 

Marco Antonio De Martino revela no vídeo que resolveram radicalizar: nada de ácido tartárico (para dar acidez às uvas ultra maduras), nada de leveduras adquiridas em mercado, nada de barricas novas para os tintos, nada de superar 13,50% de álcool,  mas,sim, leveduras nativas e foudres para os vinhos tops.

 

A De Martino faz hoje vinhos de Novo Mundo no estilo Velho Mundo. É dizer, vinho mais suave, magro, elegante, fino, fresco e gastronômico. Uma vinícola sutil, como declara o crítico britânico Hugh Johnson em seu Pocket Wine Book 2013, e lhe confere 3 estrelas nas quatro possíveis.

 

 

Para tanto, os enólogos da De Martino, chefiados por Marcelo Retamal tratam de:  

 

1)      Eliminar a "redução", que consiste em retirar 1% do suco para se obter vinhos mais espessos;

2)      Respeitar o conceito de origem. São usadas leveduras nativas em 100% dos tintos (para refrescar a memória: a levedura contida na casca da uva é o que leva o suco da uva à fermentação, à produção do álcool vínico e, por consequência, ao vinho. Leveduras selvagens sao erráticas, nem sempre muito confiáveis, podem parar de funcionar quando lhes der na telha... daí a pratica de se comprar leveduras que o mercado vende inclusive com sabores e aromas segundo o pedido do freguês);

3)      Não usam enzimas, já que estas obtém maior extração, e o que a De Martino busca fazer sao vinhos mais suaves, mais elegantes;

4)      Colhem as uvas mais cedo para evitar que a uva se desidrate e acumule muito açúcar, o que deixa os vinhos mais alcoólicos. Hoje colhem as uvas mais cedo, porque elas tem maior acidez, dependendo do lugar, naturalmente. Junto aos Andes, que é mais frio, isto não é necessário.

 

Tinajas Centenárias

Quando visitei a De Martino no primeiro semestre de 2012 tive o gosto de observar as famosas Tinajas, ou ânforas - vasos enormes de argila e de pura tradição chilena para a guarda do vinho.

 

Os enólogos de De Martino percorreram o país, e principalmente o sul em Itata, em busca destas tinajas usadas, envelhecidas, centenárias. Compraram 120. E ali fazem Tinajas um vinho frutado, especial para ser bebido jovem.

 

Tinajas Viejas é um vinho para se beber jovem e é feito inteiramente nessas ânforas centenárias. Põem ali dentro as uvas, sem pisa, sem controle de temperatura, sem adição de leveduras adquiridas no mercado. Passa por fermentação alcoólica, descubação e retorno às tinajas para a fermentação maloláctica (a segunda para reduzir a acidez natural do vinho). Vide no vídeo a explicação detalhada de Marco Antonio De Martino.

 

Foudres austríacos

As barricas foram substituídas por foudres austríacos de 5 mil litros e que duram até 30 anos em uso. Nestes foudres vão os Single Vinyards que começaram a fazer em 2011. As barricas velhas e usadas estão destinadas a vinhos de guarda.

 

Vinhedos Orgânicos

De Martino conta com 300 hectares de vinhedos orgânicos, que são 25% de seus vinhos.

 

Prove e comprove que a radicalização preconizada e posta em prática pela De Martino rendeu vinhos mais sutis, saborosos e que se bebem com prazer.

 

Notas de degustação

 

Chardonnay Single Vineyard Quebrada Seca 2010

De Limari.

Um belíssimo branco que recorda um Corton Charlemagne . Mineral, bela textura e acidez, uma carícia fresca na boca. Rendimentos reduzidos. Vinho muito concentrado. Mineral. Um toque de papaia e algo de pamonha, como sinto em alguns borgonhas, para escândalo dos esnobes que somente têm dificuldade em aceitar aromas que não sejam do hemisfério norte. Passa 25% em barrica nova.

Corton Charlemagne é o modelo para este vinho como me revelou Marco Antonio De Martino. Para guarda por mais 10 anos. R$106,15 na Decanter.

 

 

Sauvignon Blanc Single Vineyard 2005 e 2010

Dois brancos de Casablanca.

Sauvignon Blanc 2005 está bem evoluído com aromas de lima e mel, boa acidez.

Sauvignon Blanc 2010 tem toda a tipicidade da casta. Fresco, mineral, elegante, equilibrado, cítrico, boa acidez. R$106,15 na Decanter.

 

Old Bush Single Vineyard Las Cruces 2008

Blend de um vinhedo cuja com plantação está toda mesclada de malbec, carmenere, cabernet sauvignon, syrah, carignan e cinsault. Aromas intensos de uvas vermelhas e negras. Fino e elegante. Muita fruta. Boa menta no after taste. Leve e delicado, boa acidez, muito amável. R$106,15 na Decanter.

 

 

Syrah Single Vineyard Alto Los Toros 2008

Um tinto que exclama 3 vezes!!! Syrah e 15% de petit verdot que dá uma chispa.

Vinhedo a 2000 m altura na Cordilheira dos Andes.

Aroma intenso de ervas, especiarias e frutas. Chocolate na boca, muito saboroso, especiarias. Fino, elegante, equilibrado. R$106,15 na Decanter.

 

Carmenere Gran Reserva Legado 2010

De Maipo. A carmenere vem de um único vale, com toda a tipicidade da casta, herbáceo, pimenta e muito fresco. O vinhedo de carmenere demora de 10 a 12 anos para dar um bom carmenere. É quando as folhas do vinhedo começam a perder o verde que a carmenere perde a piracina, aquele aroma mais rude de goiaba. R$72,45

 

 

Syrah Reserva Legado 2011

Do vale de Choapa. Exclama 3 vezes!!!

Frutos negros, aroma Netuno, redondo, saboroso, chocolate e bons taninos. O da safra 2010 por R$72,45 na Decanter.

 

 

Syrah Single Vineyard Alto los Toros 2008

85% syrah e petit verdot

Na taça é quase negro. Intenso no olfato, utas negras maduras, violeta, grafite, pimenta. Muito estruturado, taninos firmes e acidez gastronômica. Complexo, concentrado e potente. R$106,15

 

Armida 2007

100% Carmenere do Maipo

Toda a tipicidade do carmenere de Maipo.

Herbáceo, taninos presentes e finos, com personalidade. Suculento. R$350 na Decanter.

 

 

Semillon Botrytis Late Harvest 2004

Âmbar com reflexos acobreados.

Botritizado. Camadas de aromas intensos. Nozes, untuoso em boca, equilibradíssimo, elegante, seco, complexo, macio, suntuoso. O Brasil é o único que recebe este vinho. R$69 na Decanter.

 

 

De Martino Viejas Tinajas 2011

100% cinsault de Itata

Delicado, muito frutado. Frutas vermelhas, muito leve e saboroso, fresco. Bela acidez para ir com refeição. R$87,40 na Decanter.

 

Viejas Tinajas é um vinho que se faz sozinho. Um vinho natural. Que recupera a tradição chilena de 300, 400 anos. Vide no vídeo o que nos conta Marco Antonio De Martino. Não tem adição de SO2, os sulfitos que dão dor de cabeça. As Tinajas foram procuradas em todo Chile, eram fabricadas pelos índios mapuches, e de idade entre 100 e 200 anos.

 

 

 

Quer saber mais?

 

A escolha da De Martino

O Chile esteve sob o mar há milhões de anos atrás. Depois surgiu a Cordilheira da Costa , os vales e a Cordilheira dos Andes. Os vales se situam entre as duas cordilheiras. Assim 80% dos solos chilenos são vulcânicos e ali onde as cinzas se depositaram no Vale Central, o solo é muito fértil, portanto inadequado para o plantio de vinhas.

 

Por isso, De Martino analisou, pesquisou e foi em busca de solos de rocha vulcânica, com carbonato de cálcio e conchas marinhas. São solos calcáreos importantes pela mineralidade e elegância que trazem aos vinhos. E a rocha é um regulador quando falta a umidade.

 

A Corrente de Humboldt no Pacifico produz brisas a 13 e 14 graus, daí ser mortalmente estar perto do mar, porque a temperatura nao varia. Tambem segundo Eduardo Jordán, uma vez por semana vem dos Andes uma brisa mais fria que ajuda na elaboração de vinhos de maior caráter e elegância.

 

Vale conhecer os vinhos desta decisão radical da De Martino. São puro prazer!

 

 

 

 

 

De Martino radicalizou!
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!
Array
De Martino radicalizou!




Sobre o vinho e gastronomia Anúncie Segurança e Privacidade Trabalhe na V&G Comunicar Erros Redes Sociais Fale Conosco