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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Duas Quintas, 25 Anos

01 de Dezembro de 2015

 

 

Por Guto Martinez

 

 

No ano de 1990, uma das casas mais antigas de Portugal, a Ramos Pinto, criou um vinho para representar uma mudança de pensamento, a de que o Douro só produz vinho do Porto. Com a ajuda de uma família com vinho nas veias e muito conhecimento técnico, surgiu das propriedades de Ervamoira e Bons Ares um símbolo do Douro moderno: o Duas Quintas.

 

 

Quando o enólogo Fernando Nicolau de Almeida criou o mítico Barca Velha, a região do Douro voltou aos vinhos de mesa que havia abandonado em 1820, mas foi seu filho que criou vinho que traduzia o melhor de seu terroir. Com formação em Bordeaux, João Nicolau de Almeida (conheça melhor aqui), sobrinho de José António Ramos Pinto, ajudou a sistematizar e a estruturar a produção de vinho de mesa no Douro através de uma experiência científica vinculada à Universidade de Vila Real, a qual ficou conhecida como o Estudo das Cinco Castas.

 

 

Através do plantio sucessivo de algumas das castas autóctones em quatro campos experimentais, sendo um deles em altitude, foram determinadas quais as uvas mais apropriadas para se fazer vinhos na região, e desde então a maioria dos produtores parece vir se guiando pelos achados deste estudo, o que o qualifica como um divisor de águas (ou vinhos) no Douro.

 

 

Desde então, a estrela da região foi a Touriga Nacional, uma uva de qualidade e elegância, que foi bem acompanhada da Tinta Roriz, mais rústica e com taninos mais ásperos, além da Tinta Barroca, uma uva mais "fêmea" que ajuda a afinar o vinho. As últimas foram a Tinto Cão, que é a uva de produção do Porto Tawny e cujo envelhecimento ajuda a refinar os vinhos, e a Touriga Franca (ou Francesa), uma variedade menos intensa que a Nacional mas mais aromática e refinada. Nas brancas, as escolhidas foram a Rabigato, que confere refrescância e vivacidade com aromas mais frutados; a Gouveio, que dá origem a vinhos de acidez firme e encorpados, e Viosinho, que dá complexidade e equilíbrio entre acidez e açúcar. 

 

 

Hoje já se utilizam outras castas além destas originais, tais como a Tinta da Barca, uma variedade quase exclusiva da Ramos Pinto e também usada na produção de Porto, ou a minhota Sousão, conhecida por dar corpo e coloração intensa aos vinhos. 

 

 

A Duas Quintas, que vem de uma história de redescoberta do Douro para a produção de vinhos bons, uvas adequadas à sua região e terroir, fruto de muito estudo e da vontade de uma família.

 

 

O resultado de tanto estudo, dedicação e vontade de uma família cujo nome se confunde com a produção vinícola portuguesa pode ser notado no reconhecimento dos especialistas: Hugh Johnson confere três estrelas ao produtor, e Oz Clarke destaca seus vinhos como "consistentemente bons", atribuindo uma estrela a todos os seus rótulos.

 

 

A Duas Quintas, que desde a sua fundação acompanha a Ramos Pinto no Grupo Champagne Louis Roederer, ofereceu uma degustação vertical de seu Reserva, atravessando praticamente todos os anos de sua história, a qual pode ser vista abaixo:

 

 

Notas de Degustação

 

 

1992

 

Ainda muito jovem, apresentando cor rubi violácea ainda com pouca oxidação aparente. No nariz, está repleto  de frutas vermelhas e negras, com couro, ervas e alguns aromas terciários já aparentes. Em boca, a idade é levemente mais notada, com madeira mais presente. Muito refinado, com taninos bastante polidos, acidez ainda elevada, médio corpo e boa persistência. Um jovem senhor!

 

 

1994

 

Em taça, a fruta ainda está mais aparente e levemente confitada, e a coloração mais escura. Nariz mais intenso, provavelmente uma safra de clima mais quente que 1992, menos couro e mais aromas terciários. Em boca, se apresenta com boa acidez e taninos um pouco mais rústicos, mas sem agressividade. Maior persistência, maior intensidade, um vinho com mais corpo e mais caráter.

 

 

1997

 

A cor ainda se mostra um rubi violáceo intenso. No nariz, sobressai uma maior herbacidade, oriunda da introdução da Tinta da Barca, e em segundo plano ficam as frutas vermelhas e demais aromas. Tem alguma mineralidade, levemente calcárea. Em boca, a acidez é levemente mais pronunciada, e o paladar está um pouco mais amadeirado. Ainda tem bastante caráter e a persistência se prolonga ainda mais. Uma safra que sai um pouco da sequência, com diversas particularidades e alguma rebeldia.

 

 

2000

 

Já na cor se nota que o vinho ainda tem muita juventude, com um tom mais escuro. Volta-se aos aromas primários frutados, com cerejas e morangos, toque de couro e especiarias e alguns aromas já terciários. Em boca, taninos muito redondos, paladar mais intenso e acidez pronunciada, mas em nível ligeiramente inferior ao 1997. Sai a Tinta da Barca e entra a Tinta Roriz, conferindo um pouco mais de elegância.

 

 

2005

 

Um vinho de ano mais quente, tem coloração intensa e um pouco mais intensa. No nariz, mostrou bastante fruta no nariz, com especiarias, com alguma acidez, e com um final levemente açucarado. Não tem tanta persistência quanto a safra de 2000, e seus taninos estão ligeiramente mais discretos.

 

 

2008

 

O "vinho da frescura", promete um longo envelhecimento. A entrada da Sousão dá mais intensidade, a começar pela cor, mais intensa. No nariz, alguns aromas de frutas negras levemente confitadas, especiarias, couro e aromas terciários, como óleo de eucalipto. Em boca, apresenta alguma picância, com taninos mais ásperos, final bastante prolongado, muito equilíbrio num tom mais rústico. Promete muitos anos de garrafa!

 

 

2011

 

Já foi considerado o melhor vinho da Europa. Em taça, a cor é mais violácea, bastante intensa. No nariz, um pouco mais tímido, as frutas estão ainda bem frescas, com algumas especiarias (anis) e alguns aromas terciários de fundo. Em boca, a acidez é levemente predominante, com taninos aveludados e ótima persistência. Muito elegante.

 

 

2012

 

A cor volta ao rubi violáceo, e o nariz tem a prevalência de frutos vermelhos intensos, com um retorno mais claro da mineralidade calcárea já vista. Na boca, os taninos estão começando a se refinar, apresentando uma suave aspereza, cujas arestas o tempo se encarregará de aparar. Boa persistência, mas é um vinho que se beneficiará de alguns anos em garrafa ainda.

 

 

2013

 

Bastante jovem (ainda não chegou ao mercado brasileiro), tem uma cor rubi violácea bastante viva. No nariz, as frutas estão bastante frescas e encontram algumas especiarias doces (cravo e anis). Em boca, tem boa acidez, com taninos ligeiramente verdes - talvez eles ainda precisem aguardar alguns anos para se aperfeiçoarem. Promete se tornar um bom vinho, mas deve ser guardado.

 

 

Os vinhos da Duas Quintas chegam ao país por importação da experiente Casa Franco-Suissa - Maison Lafite (http://francosuissa.com.br), que possui um dos melhores catálogos do país, e podem ser encontrados na Venews Bebidas (www.venewsbebidas.com.br). 





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