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Lapostolle: O Chile com sotaque francês

26 de novembro de 2015

 

Por Guto Martinez

 

 

Quando Alexandre Marnier-Lapostolle decidiu, em 1880, criar uma bebida que misturava conhaque com laranja, muitos devem ter torcido o nariz, mas naquele momento nasceu uma bebida clássica, que ficaria famosa mundialmente. Assim, não é exagero dizer que a Lapostolle surgiu em 1994 para se tornar um sucesso quase imediato no mundo do vinho.

 

 

Fundada por Alexandra Marnier-Lapostolle, a produção hoje é originada de três vinícolas: Atalayas, no Valle de Casablanca, onde são produzidos os vinhos de uvas típicas de frio, como Pinot Noir e Chardonnay; Las Kuras, no Valle de Cachapoal, onde se localizam vinhas de Cabernet Sauvignon, Sauvingon Blanc e Syrah, e o histórico Clos de Apalta, no Valle de Colchágua, que possui condições muito particulares.

 

 

Apalta é uma vinícola que oferece um índice de insolação ideal devido à sua posição de ferradura, que o protege a leste e a oeste, e pela oferta ideal de água do seu subsolo. De fato, quando Alexandra Marnier-Lapostolle visitou o local, soube que as plantações originais de 1920 se mantiveram praticamente intocadas no local, ou seja, as plantas encontraram as condições ideais para  sua permanência. De fato, são de 1920 algumas das suas vinhas mais antigas, que hoje compreendem Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah.

 

 

Os três conceitos-chave que hoje ditam a produção da Lapostolle são a produção biodinâmica, a seleção natural e a colheita noturna. Aliás, todo o Clos de Apalta hoje é certificado por seu manejo orgânico e biodinâmico, sendo que o trabalho nas vinhas é manual, incluindo a escolha das melhores uvas, que em seguida passam pela seleção óptica, uma das inovações tecnológicas da vinícola. Nos vinhedos, as flores, vistas como inimigas em outras regiões, são tidas como um benefício, por incentivarem um maior esforço das vinhas, e portanto são mantidas em grandes canteiros entre as fileiras.

 

 

A ousadia da família também se reflete em alguns de seus vinhos: um dos principais rótulos é o exótico Borobo, um corte de uvas de três regiões francesas numa verdadeira composição de todo o potencial do Chile para a produção vinícola. Não à toa, é o único vinho vinho da América Latina que já foi o melhor do mundo, em 35 anos do ranking da Wine Spectator.

 

 

Os vinhos da Lapostolle são comumente citados nas listas de melhores do Novo Mundo, e são tantas as altas pontuações que receberam que listá-las seria um processo longo. Apenas para exemplificar, Hugh Johnson confere duas a quatro estrelas (o máximo) em seu Pocket Wine Book de 2016, e Oz Clarke confere raras três estrelas ao tinto Clos Apalta, cujo exemplar de 2012 também recebeu 96 pontos de James Suckling.

 

 

A experiência e o cuidado da família com seus vinhedos se refletem também em outros de seus valores-chave: a Lapostolle Residence, em Santa Cruz, hoje é referência por sua arquitetura e hospitalidade de ponta, e além de ser membro da Relais & Chateaux, foi vencedora do Certificado de Excelência do Trip Advisor em 2014, entre outras premiações.

 

 

O cuidado com a história da vinícola também é importante para a Lapostolle: todas as colheitas feitas em Apalta são armazenadas em uma extensa vinoteca, criando um importante arquivo que garantirá mais que a memória da qualidade da casa, um objetivo que a família Marnier-Lapostolle mostra ser a sua especialidade.

 

 

Notas de Degustação

 

Le Rosé

 

Vinho de pequena produção, elaborado da sangria de Syrah (47%), Cabernet Franc (43%) e Carmenère (10%), com inspiração na Provence. Em taça, coloração rosada suave levemente alaranjada (casca de cebola). No nariz, aromas vegetais (aspargos cozidos), frutas vermelhas frescas discretas, toque de casca de laranja seca. Em boca, a acidez é a primeira sensação, seguida de uma mineralidade destacada. Boa persistência, é um vinho ideal para beber gelado e acompanhar frutos do mar à Provençal.

 

 

D'Alamel Sauvignon Blanc

 

Um varietal muito aromático, foi criado recentemente para ser uma opção mais acessível  (com valor no Brasil de menos de US $20). Em taça, amarelo-palha claro com reflexos esverdeados. No nariz, frutas amarelas tropicais (maracujá, laranja-lima), papaia, notas herbáceas, mineralidade calcárea. Em boca, acidez elevada, com ótimo equilíbrio com o álcool e um suave toque sucré, com final prolongado muito agradável. Surpreende a qualidade deste vinho na sua faixa de preço.

 

 

Lapostolle Casa Sauvignon Blanc 2014

 

Um vinho que Jancis Robinson declarou ter tomado até a última gota, é refrescante e equilibrado, com boa acidez. Em taça, amarelo-palha claro com reflexos esverdeados. No nariz, os aromas de frutas amarelas maduras e notas herbáceas e minerais se somam a flores do campo e um toque de banana, muito agradável. Em boca, o toque sucré acompanha muito bem a acidez gastronômica, com uma ótima persistência e um final que lembra azeitonas verdes. Ótimo para beber sozinho ou acompanhar um prato de aves de carne escura (peru, faisão).

 

 

Cuvée Alexandre Sauvignon Blanc !!

 

O Sauvigon Blanc superior da Lapostolle, é um dos melhores vinhos dessa uva do Chile. Sua primeira safra já recebeu 93 pontos de James Suckling, que destacou a densidade semelhante à de um Pouilly-Fumé. Em taça, amarelo-palha claro com reflexos esverdeados. No nariz, predominam as frutas cítricas e os toques herbáceos (grama cortada), mas com uma boa mineralidade e uma ligeira nota láctea, que lembra pipoca amanteigada. Em boca, a acidez está mais domada, e a untuosidade permite que os sabores percorram todo o paladar. Muito agradável e com uma persistência que mantém a sua constância elegante, sem excessos. Pode ser facilmente visto como um "imigrante" francês no Chile, com aromas e sabores profundos, mas essencialmente elegantes.

 

 

D'Alamel Merlot 2013

 

Com apenas uma parcela do vinho envelhecendo em madeira, a característica frutada se mantém, junto com uma sensação aveludada muito agradável e ótima acidez. Leva ainda 9% de Carmenère, 4% de Petit Verdot e 2% de Syrah. Em taça, rubi com nuances violáceas. No nariz, frutas vermelhas e negras maduras (framboesas, cassis), herbacidade, ligeiro toque terroso. Em boca, se apresenta com corpo e persistência médios, os taninos estão finos e a acidez, embora gastronômica, controlada. Uma boa opção a um bom custo, é um vinho que mostra o potencial da Merlot em Apalta.

 

 

Lapostolle Casa Merlot 2013

 

Robert Parker classificou o aroma deste vinho como "quase um Borgonha", devido à sua profundidade. Excelente opção devido ao seu relativo baixo custo, leva ainda 15% de Cabernet Sauvignon. Em taça, rubi violáceo mais intenso, quase como tinta. No nariz, as frutas vermelhas e negras com especiarias (cravo, anis) e herbacidade. Em boca, é um vinho com mais potência e mais corpo, com a acidez também pronunciada e taninos ligeiramente mais marcantes. Uma opção excelente para acompanhar pratos mais gordurosos.

 

 

Cuvée Alexandre Carménère 2011 !!

 

Elaborado com clones de vinhas pré-phylloxericas, foram necessários 11 anos desde a primeira colheita até a primeira safra. Com uma produção bastante restrita, é mais rico e concentrado que outros Carménères, em parte devido aos 15% de Syrah. Em taça, a concentração leva o rubi violáceo a uma intensidade quase de um nanquim. No nariz, os aromas de frutas negras muito maduras e especiarias quentes se somam a couro curtido e resina, com complexidade e sem o excesso de herbacidade que normalmente vem com esta variedade. Em boca, os elementos estão em sintonia, com boa persistência, taninos muito finos e um final que ainda traz os sabores frutados. Um ótimo exemplo de um Carménère bem feito.

 

 

Canto de Apalta 2011 !!

 

Este excelente corte de 45% de Carménère, 25% de Merlot, 16% de Cabernet Sauvignon e 14% de Syrah é um símbolo do potencial do Clos de Apalta, com aromas e sabores complexos e muito ricos. Em taça, rubi violáceo intenso, que tinge a taça. No nariz, os aromas -de fato muito complexos - incluem desde frutas negras maduras, quase em compota, com couro, húmus, especiarias quentes, aromas terciários  (resina). Em boca, é muito aveludado e saboroso, com taninos mais marcantes, persistência bastante prolongada, acidez gastronômica e ligeiro toque sucré. Um grande exemplo da herança bordalesa de Apalta.

 

 

Borobo 2011 !!!

 

Com 30% de Cabernet Sauvignon, 25% de Syrah, 20% de Carmenère, 15% de Pinot Noir e 10% de Merlot, este é um corte elaborado com uvas nativas de Bordeaux, Côtes du Rhône e Borgonha que apresenta perfeita harmonia entre concentração e complexidade. Em taça, rubi violáceo intenso, mas menos que o Canto de Apalta, embora ainda bastante concentrado. No nariz, aromas de frutas negras maduras e especiarias doces muito profundos, com toques terrosos e mentolados e aromas terciários. Em boca, é muito generoso em seus elementos, mas sem agressividade. Equilíbrio na acidez, taninos bastante redondos, persistência ótima, e um final que se esvai lentamente. Sua resistência em taça é bastante elevada. Um ícone, puro joie de vivre chileno!

 

A Lapostolle chega ao Brasil pela Mistral (www.mistral.com.br), que também realiza vendas on-line. Bravo, Mistral, por trazer um dos melhores vinhos do Novo Mundo ao Brasil!

 

Conheça mais sobre a Relais & Chateaux em www.relaischateaux.com





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