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Telmo Rodríguez em busca dos sítios mágicos

Por Silvia Cintra Franco

 

Esta não foi a primeira vez em que estive com Telmo Rodríguez, mas certamente foi desta vez em que eu tive plena consciência de estar diante de um homem que está fazendo a diferença, e que será recordado por isso.


 

Conhecido como l'enfant terrible da vitivinicultura, Telmo é na verdade um homem que foge às platitudes e ao caminho fácil e não tem nada de enfant terrible a não ser para os industriais do stablishment do vinho que não entendem suas propostas. É um homem de convicções e como ele mesmo diz "há que ter convicções para fazer um bom vinho".


 
Seu objetivo é destacar a diversidade e autenticidade dos sítios de Espanha. Como na Borgonha, em que embora todas as uvas tintas sejam Pinot Noir, os vinhos vindos dos diferentes pueblos são diversos entre si, Telmo Rodriguez deseja destacar a relevância do terroir, ou do sítio, em bom espanhol, sobre as castas.
 

Seu projeto é buscar sítios insólitos, nada de uvas francesas internacionais, mas sim sítios mágicos em vez de casta. E costuma dizer que os grandes lugares ou sítios não sabem a castas, mas ao lugar. Um grande Hermitage não sabe a syrah, por exemplo. Confira no vídeo a entrevista interessantíssima e contundente que ele me deu e na qual ele finaliza dizendo que apenas vinhos comuns destacam as castas...


 
A idéia é fazer vinhos autênticos e não de competição, vinhos que expliquem um país original, nos quais a casta tem de atuar com um transmissor do gosto do sítio. E que os vinhos "saibam a lugares" e não a carvalho, a barricas e barris. Fica fácil entender, se pensarmos que o café do Sul de Minas  é diverso de um do norte do Paraná e o que são as ostras de Cananéia e as de outro litoral qualquer.
 


Telmo Rodríguez recorda que certa vez convidaram Aubert de Villaine do Romanée Conti para uma apresentação de vinhos feitos com a Pinot Noir. Ao que este respondeu que não fazia vinhos de Pinot Noir, mas Montrachet...


 
Telmo Rodríguez vem adquirindo preciosas parcelas, poucos hectares, de vinhedos em lugares especiais. E começa o trabalho produzindo vinhos bem feitos, mas despretensiosos, pois a idéia é conhecer o terroir e suas possibilidades para somente então passar à etapa seguinte, que é a de produzir vinhos especiais.


 
Os vinhedos de Telmo Rodríguez têm todos certificação de orgânicos, ele usa levedura selvagem, a da uva, em vez de comprar no mercado. A fermentação malolática (realizada para retirar o excesso de acidez do vinho) acontece dentro do tempo do vinho e não do mercado...


 
Nesta linha do bom e despretensioso está seu branco Basa Rueda 2010, um vinho delicioso, aromático, de boa acidez, perfeito para festas. US$ 34.50 na Mistral.

 

Também o Dehesa Gago 2009, um vinho cativante, resultado de suas pesquisas em busca do sítio esquecido e perdido na região de Toro. Frutado, encorpado, mas fresco, é despretensioso como o riso que vem fácil quando se é feliz. E levou os 90 pontos de Robert Parker!
 


Gaba do Xil Godello 2010 é vinho da Galicia, mas de Valdeorras e não da  conhecida Rias Baixas. Um vinho feito de Godello, que faz vinhos de caráter. Telmo Rodríguez se apaixonou por esta paisagem de Galicia com tradições que remontam à Idade Média, em La Falcoera, um vinhedo do tempo dos romanos, que estava esquecido. Este é um branco com personalidade, bela acidez, aromático, mel, e muita personalidade. US$43.90 na Mistral, a importadora da Companhia de Vinhedos Telmo Rodríguez.


 
Pegaso Barrancos de Pizarra 2007 vem de Cebreros e passa em carvalho francês; é feito de garnacha, mas se fosse para ouvir Telmo Rodríguez,  eu diria que é feito de Cebreros... Um vinho de fruta madura, muita personalidade, muito diferente, com plantação dos vinhedos em vaso como é tradição local. Uma beleza de vinho! US$93.50.


 
Lanzaga 2008 é um Rioja Alavesa de vinhas velhas, um corte de tempranillo, garnacha e graciano, uvas locais, autóctones ou nativas, como busca Telmo Rodríguez. Apenas 45 mil garrafas, um vinho de corpo, nuanças e sutilezas, elegante, uma beleza! Bela tessitura em boca, macio, fresco e especial.
 


Matallana Ribera Del Duero 2006 é o icone de Telmo Rodriguez. Elaborado com vinhedos de Fuentemolinos, recuperados por Telmo Rodriguez, cultivados biodinamicamente e com pisa a pé. Recorda um Bordeaux Premier Cru Classé, só que feito de Tinto Fino, o nome da tempranillo em Ribera Del Duero. É um vinho que exclama!!! US$239 na Mistral.


 
Finalmente, mas não menos relevante é o M.R.Málaga 2009 para sobremesa, com uva Moscatel de Málaga que reedita um vinho histórico, o Monte Wine Málaga do qual já fizeram referência Shakespeare e Alexandre Dumas. Foi selecionado para as bodas do Príncipe de Astúrias, herdeiro do trono espanhol. US$56.50


 
Telmo Rodríguez estudou enologia em Bordeaux, trabalhou com Bruno Pratz do Chateau Cos d'Estournel. Hoje assumiu também os vinhedos da família e a bodega Remelluri, que havia deixado quando jovem em busca de seus próprios caminhos.
 


 
Os vinhos de Telmo Rodríguez são para amantes do vinho exigentes e inconformados, com sede de ir mais além.
 
 
 

 





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