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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Um tapa na cara para quem não dá muita bola para os tintos de Borgonha

Por Breno Raigorodsky

 

Bocas são iguais, não importa a cor da pele, não importa o gênero ou a etnia.

 

Mas, a acreditar na lista abaixo, algumas bocas são mais iguais que outras, merecem mais, tem seus privilégios. E não é preciso ser grande entendedor de vinhos para saber que preço é qualidade, mas também prestígio comprovado.

 

E como é isso de ter a qualidade medida em preço?

 

Seguramente, tem a ver com a história da relação entre determinado vinho e seu mercado, como já provavam os vinhos de Bordeaux no século XVII e sua importância indispensável para os ingleses, que impuseram o prestígio desta região produtora e até hoje continua firme e forte, sendo os mais atraentes no mundo inteiro, inclusive na China, que há menos de 20 anos acordou para o consumo dos fermentados de uva.

 

Tem a ver com a bola da vez: no ano em que foi leiloado o Lafitte assinado com as iniciais do Thomas Jefferson, algo de 1870, todos os outros Lafitte de todos os outros anos foram naturalmente valorizados.   O dia em que o Thunevin, o vinho de garagem mais bem sucedido, ganhou o segundo A em St Emilion equiparando-se aos Ausone e Cheval Blanc, todos os outros da família Thunevin, incluindo o seu vinho de maior prestígio, o Vallandreau, ganharam uns quilinhos a mais de prestígio e, portanto, de valor mercadológico.

 

Os gostos vão se consolidando a partir de razões que nada tem a ver – muitas vezes – com o paladar. Um vinho amado pela maioria de um determinado grupo de pessoas impõem o gosto para o resto do grupo, influenciando fortemente outros grupos a seu redor.

 

Mas mesmo com toda esta introdução, até o maior conhecedor de vinhos que você conhece, há de se impressionar com o proporção de vinhos da Borgonha presentes nesta lista dos mais caros do mundo: 36 em 50, feita por um insuspeitável motor de busca inglês, o WineSearcher.

 

É vinho demais, num momento em que há uma onda fortíssima no mundo inteiro para deixar os vinhos franceses num segundo plano, particularmente os da Borgonha. E é para calar a boca de quem acha que os vinhos da região são decadentes, como já ouvi muito sommelier internacional dizendo por aí.

 

Em matéria de preço, há de se considerar também que a produção dos vinhos da Borgonha costuma ser muito menor do que a de outras regiões de prestígio, influenciando no preço da garrafa deles mais do que em de outras regiões.

 

Além disso, pegando por um outro aspecto, o leigo ficará muito impressionado com a quantidade de vinhos que jamais ouviu sequer falar. Ficará pasmo ao descobrir que o vinho mais caro é também totalmente desconhecido e que o mais famoso de todos de Bordeaux, o Petrus, ganha apenas o 10º posto, apenas uma posição à frente da única marca de champanhe da lista, a Krug.

 

E a ausência de alguns monstros sagrados desta mesma região revolta ainda mais os que se achavam super entendidos no assunto.

 

Nada de Latour, nada de Lafite e Haut Brion. O único que aparece dos chamados primeiros crus de Medoc e Haut Medoc é o Baron Rothschild : Château Lafite-Rothschild, Pauillac, Bordeaux, na 30ª posição.

 

E a lista continua sendo quase ofensiva para quem sempre achou que conhecia tudo de vinho. O 5º lugar, por exemplo, é ocupado por um vinho alemão de Mosel, enquanto os super prestigiados Sauternes D’Yquen e Tokay nem sequer são citados.

 

De surpresa em surpresa, a lista não apresenta nenhum italiano ou espanhol, e garante lugar a dois vinhos dos EUA, um da Austrália e um de Portugal, os únicos a quebrarem a quase absoluta hegemonia dos franceses.

 

Classificação dos 50 vinhos mais caros do mundo em 2012 * :

  1. Henri Jayer : Richebourg Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  2. Domaine de la Romanée-Conti : Romanée-Conti Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  3. Henri Jayer : Cros Parantoux, Vosne-Romanée Premier Cru, Côte Nuits, Bourgogne
  4. Domaine Leflaive : Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  5. Egon Muller-Scharzhof Scharzhofberger Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel, Allemagne.
  6. Domaine de la Romanée-Conti : Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  7. Domaine Georges Roumier : Musigny Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  8. Georges et Henri Jayer : Echézeaux Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  9. Musigny Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  10. Pétrus, Pomerol, Bordeaux
  11. Krug : Clos d’Ambonnay, Champagne
  12. Domaine de la Romanée-Conti : La Tache Grand Cru Monopole, Côte de Nuits, Bourgogne
  13. Screaming Eagle Cabernet Sauvignon, Napa Valley, Etats-Unis
  14. 14. Le Pin, Pomerol, Bordeaux
  15. Domaine Leroy : Chambertin Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  16. Domaine Faiveley : Musigny Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  17. Domaine Leroy : Grands-Echézeaux Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  18. -F Coche-Dury : Corton-Charlemagne Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  19. Domaine Leroy Richebourg : Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  20. Domaine Jean-Louis Chave : Cuvée Cathelin, Ermitage, Rhône
  21. Domaine du Comte Liger-Belair : La Romanée Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  22. Domaine Dugat-Py : Chambertin Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  23. Domaine de la Romanée-Conti : Richebourg Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  24. 24/Domaine des Comtes Lafon : Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  25. Domaine Leroy : Clos de la Roche Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  26. Domaine Georges Roumier : Les Amoureuses, Chambolle-Musigny Premier Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  27. Domaine Leroy Echézeaux : Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  28. Domaine Ramonet : Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  29. Domaine Leroy : Romanee-Saint-Vivant Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  30. Domaines Barons de Rothschild : Château Lafite-Rothschild, Pauillac, Bordeaux
  31. -F Coche-Dury : Les Perrières, Meursault Premier Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  32. Seppeltsfield Para Centenary 100 Year Old Vintage Tawny, Barossa Valley, Australie
  33. Domaine de la Romanée-Conti : Romanee-Saint-Vivant Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  34. Domaine de la Romanee-Conti : Grands Echézeaux Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  35. Domaine Leroy : Latricieres-Chambertin Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  36. Krug : Clos du Mesnil Blanc de Blancs Brut, Champagne
  37. Emmanuel Rouget : Cros Parantoux, Vosne-Romanée Premier Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  38. Domaine Méo-Camuzet : Au Cros Parantoux, Vosne-Romanée Premier Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  39. Château Lafleur, Pomerol, Bordeaux
  40. Domaine Leroy : Clos de Vougeot Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  41. Krug : Collection Brut, Champagne
  42. Domaine Armand Rousseau Père et Fils : Chambertin Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  43. Château Ausone, Grand Cru classé A,  Saint-Emilion, Bordeaux
  44. Domaine Méo-Camuzet : Richebourg Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  45. Schrader Cellars Old Sparky Beckstoffer To Kalon Vineyard Cabernet Sauvignon, Napa Valley, Etats-Unis
  46. Domaine Leroy : Corton-Charlemagne Grand Cru, Côte de Beaune, Bourgogne
  47. Quinta do Noval Nacional Vintage Port, Portugal
  48. Charles Noellat : Richebourg Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  49. Domaine de la Romanée-Conti : Echézeaux Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne
  50. Domaine Armand Rousseau Père et Fils : Chambertin Clos-de-Bèze Grand Cru, Côte de Nuits, Bourgogne

 

*Há uma outra lista mais recente do mesmo site de busca, com números de 2014. Mas como se restringe a apenas os 20 primeiros e têm duas bases de oferta – a do maior preço e a do preço médio – achei melhor deixar o de 2012 como referência. De qualquer jeito, vale notar que na lista dos maiores preços, tanto Petrus quanto Ausone chegam a números que os classificariam entre os cinco mais caros…





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