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EUA reconhecem cachaça como bebida brasileira

 

Produto era vendido no país como rum; agora,espera-se multiplicar exportações e chegar a 5 milhões de caixas ao ano

 

Depois de mais de uma década de negociações, o Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB) - órgão do governo americano especializado no comércio de álcool e tabaco - publicou (25 fev.) registro reconhecendo a cachaça como produto genuinamente brasileiro. Com a decisão, que passa a valer a partir de 11 de abril, a bebida deixa de ser vendida como "Brazilian Rum", conforme determinava a autoridade americana.

 

Com isto se evita que aconteça com a cachaça nos Estados Unidos o que ocorreu com a vodca russa, que perdeu o direito exclusivo internacional de utilizar o nome vodca como uma marca do país, porque não tinha seu registro na Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

A cachaça é só do Brasil!

“Depois de duas décadas, conseguimos valorizar a nossa cachaça e abrir as portas para o mercado externo. Com a chegada de eventos como Copa do Mundo e Olimpíada, acredito que o nosso produto conquistará ainda mais prestígio internacional”, declara Carolina de Tommaso, sócia-diretora da Indústria de Bebidas Pirassununga.

 

Antes do acordo, a bebida era vendida como "Brazilian Rum". Com a medida, o Brasil evita que aconteça com a cachaça o mesmo que aconteceu com a vodca russa, que perdeu os direitos de comercializar com exclusividade a bebida.

 

Processo de reconhecimento

O processo de reconhecimento da cachaça foi iniciado oficialmente em abril do ano passado. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff esteve em Washington e celebrou o início do processo presenteando o presidente americano, Barack Obama, com uma edição especial de cachaça avaliada em R$ 212 mil, com a garrafa cravejada de diamantes.

 

Em 9 de Abril de 2012 foi assinada uma carta de intenções entre o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Fernando Pimentel, com os Estados Unidos reconhecendo a cachaça como produto exclusivamente brasileiro e, em contrapartida, o Brasil reconhecendo o Bourbon e o Tennessee Whiskey como produtos exclusivamente americanos.

 

"O registro oficializa um processo que começou há um ano, pelo qual estamos lutando há mais de uma década", diz César Rosa, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac).

 

Os EUA são o segundo maior mercado importador da cachaça brasileira, perdendo apenas para a Alemanha. "Mas eles são os maiores consumidores mundiais de destilados e também o mercado de cachaça que mais cresce", diz Maria das Vitórias Cavalcanti, diretora de relações externas da cachaçaria Pitú.

 

O Ibrac prevê que o reconhecimento vai impulsionar as exportações para os EUA. Hoje, são vendidos para o mercado americano 700 mil litros por ano. "Acredito que, em cinco anos, podemos chegar a ter 5% do mercado americano de rum, o que significa exportar 5 milhões de caixas, ou 60 milhões de litros, por ano", afirma Rosa.

 

Isso, no entanto, não vai acontecer sem um trabalho de promoção da bebida, segundo o produtor Otávio Possas, da cachaça Vale Verde. "Nos EUA, ninguém pede cachaça por marca. Lá, cachaça é uma bebida genérica."

 

O mercado nacional tem capacidade de produção de 1 bilhão de litros, mas produz cerca de 700 milhões de litros por ano. As mais de 4 mil marcas nacionais movimentam cerca de R$ 2 bilhões anualmente.

 

No ano passado, o consumo interno encolheu 3,5% em volume, segundo dados preliminares do Ibrac. Houve, segundo César Rosa, uma migração do consumo para a cerveja e para marcas de segunda linha de uísque e vodca.

 

Por outro lado, o faturamento do setor cresceu em média 10%, já que muitos consumidores passaram a comprar marcas mais finas, de maior valor agregado.

Fonte: Lílian Cunha, O Estado de S.Paulo e Instituto Pirassununga de Bebidas





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