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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Glen Carlou

Silvia Cintra Franco

 
Até recentemente eu podia dizer, sem dúvidas e às cegas, quando um vinho era da África do Sul.
 
Havia sempre uma nota, um aroma a borracha queimada, característica da pinotage, uva ícone da África do Sul. Uma uva tipo “ame-a ou deixe-a”, não dá para ficar indiferente. Além disso, há algo mais que eu jamais consigo precisar, mas que me diz certeiramente quando o vinho é da África do Sul.

 
Pois provar os vinhos da Glen Carlou foi uma agradabilíssima surpresa. Eu já desconfiava de que seriam vinhos “um ponto fora da curva”, afinal o homem por detrás deles é Bernard Hess, cuja vinícola na Argentina, Colomé, visitei dois anos atrás e está apresentada aqui mesmo no VeG. Os vinhos de Colomé também se distinguem dos demais argentinos e têm uma elegância própria. Tanto a Glen Carlou quanto a Colomé são de importação da Decanter.

 

Os vinhos

 

Tortoise Hill é a linha básica por R$45 na Decanter.

 

O Tortoise Hill Red 2008 é um vinho fácil de amar e de beber. Macio, redondo, frutas vermelhas, negras, couro, humus. Você vai amar! Um corte de merlot, cabernet sauvignon, shiraz, cabernet franc, zinfandel e petit verdot. Suas uvas vem de Paarl e é uma beleza por R$45.
 
O Tortoise Hill White 2010 é um branco de boa acidez, cremoso e saboroso, fresco e picante. Cítrico e tropical, equilibrado. Um corte de viognier, sauvignon blanc, sémillon e verdelho.  R$45.

 

Os pinot noir e chardonnays da Glen Carlou são famosos pela qualidade.

Glen Carlou Pinot Noir 2010 tem toda a tipicidade desta uva, framboesas maduras, um tostado e caixa de especiarias no nariz. Na boca uma pimentinha, frescor e equilíbrio. R$68 é um vinho de boa relação preço qualidade. Um smart buy.

 

Glen Carlou Sauvignon Blanc 2011 é um surpresa refrescante, de bela acidez, aromas de frutas brancas e longa persistência. R$68.

 

Glen Carlou Chardonnay 2010 é um borgonha que cabe no bolso. R$78, excelente relação preço qualidade e prazer. Aromas expressivos de frutas tropicais e barrica, na boca frescor, caramelo, muito cremoso. Não é a toa que a Jancis Robinson deu-lhe 16 em 20 pontos e Robert Parker 89. Por R$78 que entregam direitinho muita qualidade e prazer.

 

Glen Carlou Cabernet Sauvignon 2009 um clássico em elegância. R$78

 

Glen Carlou Grand Classique 2008 é um bordalês que já vem recomendado por dois grandes críticos britânicos, Hugh Jonhson e Oz Clarke e com 92 pontos de Parker. Um bordalês abordável, acessível por R$85. Um vinho cativante.

 

Glen Carlou Syraz 2007 é um syrah redondo, potente, volumoso e envolvente. Aromas de frutas negras maduras, especiarias, chocolate, elegante e fino.

 

Quartz Stone Chardonay 2009, um borgonha superior que também é acessível (os borgonhas superiores não saem por menos de R$250). As uvas vêm de Paarl, aromas de gengibre, frutas tropicais e caramelo ou tofee. Fresco e de bela acidez, complexo. R$108.

 

A Glen Carlou de Arco Laarman


 
Glen Carlou faz vinhos finos, elegantes, internacionais. Arco Laarman, seu enólogo, ou winemaker, como prefiro dizer, por ser um termo mais exato, produz um chardonnay com a finesse de um belo borgonha e seu Grand Classique tem a distinção de um bordeaux. E, pasme!, todos eles cabem no bolso.

Pinotage é uma casta que Arco Laarman deixa para os apaixonados desta cepa. Admito que já tomei um ou dois pinotages bem feitos, bem domados e saborosos, mas a média  é sofrível. Entretanto, se o Uruguai foi capaz de domesticar a rústica e trinca dentes tannat e faz hoje vinhos elegantes e deliciosos, quem diz que a África também não virá a fazer belos pinotages?
 
A África do Sul, nas palavras de Arco Laarman, faz vinhos de Velho Mundo no Novo Mundo: New Old World Wine (confira a entrevista em inglês no vídeo). No século 17 ali já se fazia em Constantia, vinhos famosos pela qualidade. São, pois, 325 anos de tradição em fazer vinho. No Novo Mundo, Colomé, que é a mais antiga vinícola da Argentina, vai fazer apenas 109 anos, portanto quase nada...
 
A politica atrapalhou também. O apartheid levou a África do Sul ao isolamento político e de bens de exportação. Entre eles a de seus vinhos. Não se comprava vinho  que viesse do apartheid. Com o fim do regime, a qualidade passou a ser um requisito e em 15 anos eles deram um salto de qualidade. Vale a pena conferir os vinhos da Glen Carlou, importados pela Decanter.
 





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