http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/93e048c28deae8015adbfe8c96fbefa9.jpg


Promoções

http://vinhoegastronomia.com.br/userfiles/434f3e7f97922e2f13bb52752bc86f56.jpg








Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Pedaladas na Borgonha

Silvia Cintra Franco

 

Fosse porque tudo o que eu queria era entender a Borgonha ou porque adoro  andar de bicicleta em ruelas da idade média e outros tesouros do Velho Mundo, aí incluídos seus vinhos fantásticos, a verdade é que em maio me programei e me inscrevi num passeio de bike ou velo, como dizem os franceses.

 

Foram cinco noites e seis dias de bicicleta com um grupo de brasileiros de Ribeirão Preto, uma gente maravilhosa. E para mim, dias de caminhada.  Pois eu cheguei à Borgonha com o braço na tipóia: havia caído do cavalo, literalmente, semanas antes.

 

A BORGONHA

A Borgonha é a terra do chardonnay. É de lá que vem esta uva branca de aromas cativantes, acidez refrescante e que ganhou o mundo e hoje os jornalistas empertigados insistem em chama-la de uva internacional, por estar enraizada nos melhores brancos do mundo.

 

Também de lá vem a nobre, sutil e delicada casta pinot noir. Mas seja lá porque a Borgonha é o berço dessas castas, ou seja, porque os séculos fazem a diferença, a verdade é que não há vinhos como os da Borgonha. Além do que, na Borgonha, você conversa com os proprietários ali mesmo em suas caves ou no trabalho pesado junto às vinhas. Muito diferente de Bordeaux cujos proprietários, em geral, são armadores gregos, gente de Wall Street ou da City londrina.

 

Setembro é um mês caloroso e de uma luz encantadora na Borgonha. Vale a pena organizar umas férias eno-turísticas-gastronômicas. Afinal é de lá que também vem o escargot, o foie gras e o boef bourguignon, marinado em pinot noir, claro.

 

Antes do passeio de bicicleta, me hospedei na Maison Olivier Leflaive por alguns dias e a partir de lá visitei a Côte de Beaune, onde estão a maioria dos grandes brancos (8 Grand Cru!) e a Côte de Nuits, com a maioria dos tintos e dos Grand Crus da Borgonha, nada menos do que 24! Isto e muitíssimo mais aprendi no “Taste Burgundy, Imersão na Borgonha”, um curso de 6 horas de Cristina Otel, perfeito para entender a Borgonha, o porquê das diferenças de climats e terroirs em cada village e entre as villages, degustar vinhos com o vigneron ao seu lado etc. Cristina me revelou que 20% de seus alunos são brasileiros que a contatam por email.

 

PULIGNY-MONTRACHET

A Maison Olivier Leflaive é um hotel de charme em Puligny-Montrachet. Seus brancos são frescos, cítricos, aveludados, intensos ou delicadamente persistentes (importação Expand). Ao lado de Puligny-Montrachet estão Pommard e Mersault de um lado e do outro St-Aubin (recomendo o St Aubin da Roux Père et Fils, importação da Zahil e o St Aubin da Hubert Lamy, importação da Premium).

 

Essas cidadezinhas, ou villages, dão nome às diferentes versões, se me permitem a liberdade de expressão, da chardonnay e da pinot noir. É como falar em chocolate do Ecuador ou da Venezuela. Sabemos que tudo é chocolate, mas a terra de onde vêm define um sabor e um paladar distinto e único. Pois eu me encantei com os brancos jovens, minerais e plenos de vivacidade de Puligny-Montrachet; com a gama aromática explosiva e redonda na boca dos brancos de Chassagne-Montrachet e a elegância discreta dos des Mersault, que se sobressaem com o tempo e a guarda.

 

A PEDALADA

A pedalada com a turma deliciosa e divertida de Ribeirão Preto, que tão bem me acolheu, foi o ponto alto. Eles pedalando e eu, ora caminhando ora na van da Duvine, a operadora da pedalada. Visitamos caves e vinhas. A destacar a visita à E. Parigot & Richard para degustar seu Crèmant de Borgonha, como é chamado o espumante francês que não vem da Champanhe. Seu crèmant é fino, aveludado e acaba de entrar para o catálogo da Mistral. Espero que a Mistral traga a Crèmant Or. Uma festa para os olhos.

 

Tom, o simpático guia da Duvine, levou-nos para um jantar na Drouhin-Laroze, na pequena village de Gevrey-Chambertin, onde havia trabalhado nas vinhas. Os vinhos da safra 2009 Domaine  Drouhin-Laroze receberam alta pontuação da Revue du Vin de France. Ali tomamos Gevrey-Chambertin 1er Cru Au Closeau 2007 e um Chapelle-Chambertin Grand Cru 2004 que compensou amplamente meu desapontamento do primeiro dia, por nos servirem no piquenique um Aligoté, casta menor na Borgonha, quando eu esperava um Chablis. Entretanto, tivemos um segundo piquenique, que eu chamei de Banquetenique. Criação do chef Chico Ferreira e incluía foie gras, mel trufado, mostarda de Dijon e outras tantas maravilhas. Foi a primeira vez que pude degustar suas criações sem pegar fila como acontece no Le Jazz, seu restaurante em Pinheiros.

 

Silvia Cintra Franco viajou às próprias expensas e adverte: não participe de provas hípicas e de enduros a cavalo antes de viajar. Podem fazer mal à viagem.

Serviço:

Taste Burgundy, Imersão na Borgonha: Cristina Otel. cristina@tasteburgundy.com e www.tasteburgundy.com

La Maison d'Olivier Leflaive, 10 Rue du Monument”, 21190 Puligny-Montrachet. maison@olivier-leflaive.com

Para pedalar: Duvine, no Brasil representação da Auroraeco (www.auroraeco.com.br).

Backroads (www.backroads.com) com quem já fiz duas outras pedaladas na Europa e que também recomendo.

A Duvine será sua baby-sitter, ela cuida de você. O foco é a enogastronomia, visita a caves e restaurantes. Se você é muito independente e tudo o que quer é pedalar, vá de Backroads, que lhe entrega o mapa, uma mochila para encher de frutas e coisas boas e seguir no seu ritmo. À noite os jantares são gourmets como também os da Duvine. A Backroads não oferece os vinhos, a Duvine oferece vinhos regionais, que lhe darão uma ideia do que é o vinho local e, ocasionalmente, também grande vinhos.

BORGONHA INTERNAMENTE
BORGONHA INTERNAMENTE
Array
hospices
Array
bike
Array
cremant




Sobre o vinho e gastronomia Anúncie Segurança e Privacidade Trabalhe na V&G Comunicar Erros Redes Sociais Fale Conosco