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Enoblogs - blogs unidos pelo vinho

Já que vai pagar caro, pelo menos saiba se vale e pena!

Os brancos de Chablis e Borgonha são fantásticos e caros, aqui, na França e em qualquer lugar lugar!

 

E já que vai pagar caro para beber um bom Chablis ou um bom Borgonha, saiba o que exigir e faça valer o seu dinheiro!

 

 

Por Silvia Cintra Franco

 

 

Os brancos da Borgonha, e entre eles os cítricos e refrescantres Chablis, são caros. Pelo menos os bons.

 

Como saber se o Chablis ou o Borgonha vale o que o vendedor pede?

 

Aqui vão as dicas:

 

Dica 1.

Chablis

Chablis, um grande branco de verão 100% chardonnay, conta com 89 climats, i.e., enquanto terroir  é antes de tudo uma extensão limitada de terra que têm uma unidade natural e idêntica, o  climat (ou lieux-dits) é o marcador desta tipicidade do terroir, tipicidade de solo, relevo e natureza desse solo, suas pedras (pierrosité), a inclinação do relevo (pente), drenagem. E climat é um conceito fundamental na Borgonha, tão importante que foi incluído na lista de candidatos à Patrimônio da Humanidade da UNESCO. 

 

Então, como saber qual é o climat? No rótulo do vinho, o produtor indica o climat. 

 

Por exemplo:  Chablis Premier Cru Vaillons 2011 da Simonnet-Febvre, sendo Vaillons o climat de qualidade. 

 

Entretanto, se vier no rótulo apenas Borgonha, trata-se de um vinho básico, genérico, um corte de uvas de vinhedos diversos, sabe-se lá de onde vêm e não pode custar caro. Não devia custar nem R$90!

 

Se vier no rótulo o nome da village (a cidadezinha onde estão plantados os vinhedos que forneceram as uvas para aquele vinho) como, p.ex.,  Chablis ou Puligny Montrachet, trata-se de um village, i.e., a única certeza que temos é que as uvas vêm daquela village e de que o vinho traz (ou deveria trazer) as características e personalidade daquela village. Portanto algo superior ao genérico Borgonha, pois cada village tem sua própria personalidade. 

 

Mas, porém, todavia, contudo e entretanto (dá-lhe adversativa!), o seu rico dinheirinho somente vai ser bem gasto se o vinho vier de um grande produtor, e o porquê veremos mais abaixo.

 

Por isso, se for para gastar num Borgonha, gaste bem, opte por um climat de qualidade da village de sua preferência.

 

No verão de 2014, Chablis é uma grande pedida com seus 89 climats. Desses 89 climats de Chablis, 7 deles são Grand Cru, a saber: Les Blanchot, Bougros, Le Clos, Grenouilles, Les Preuses, Valmur e Vaudésir.

 

Entretanto, a La Revue du Vin de France (nov. 2013) dá uma boa dica ao classificar 16 desses 89 climats como climat de exceção, climat de excelência e climat de qualidade. 

 

Saiba quais são:

 

3 climats de exceção:  Les Clos, Valmur e Blanchet.

 

4 climats de excelência: Les Preuses, Vaudésir, Bougros e Grenouilles.

 

13 climats de qualidade: Montée de Tonnerre, Mont de Millieu, Montmains, Forêts, Butteaux, Fourchaume, Vaulorent, L'Homme Mort, Fourneaux, Vaucoupin, Beauroy, Côte de Léchet, Vaillons.

 

Dica 2.

Borgonhas

Na Borgonha, há 3 itens a levar em conta ao abrir a carteira para comprar seu vinho: produtor, terroir e safra

 

3˚) A safra

É o terceiro em importância no critério de escolha. E porquê? Porque na Borgonha o clima é sempre complicado, faz frio, chove e não há como combinar o jogo com São Pedro. 

 

Com este clima indisciplinado, a safra está em 3˚ lugar como item mais importante. Se for comprar da safra 2012, dos  vinhos de Mersault, Chablis, Puligny-Montrachet e Chassagne-Montrachet compre apenas dos produtores top ( o conselho não é meu, é da Decanter Magazine de fev. 2014). 2012 foi um ano horroroso e 2013 não foi melhor.  Aliás Aubert de Villaine, o homem do Romanée Conti, já disse que é crucial que 2014 seja uma boa safra, porque as duas ultimas foram difíceis e deram poucos vinhos. E no andar da carruagem, não vai ter mais Borgonha por menos de 10 euros.

 

2˚) O terroir e o climat

Aqui sim a escolha se faz importante, porque cada terroir com seus climats têm suas características e qualidades. Pessoalmente sou fã do terroir Puligny-Montrachet, onde me hospedo todos os anos. Dos climats de Puligny-Montrachet me agradam os climat classificados Premier Cru:  Les Pucelles e Les Perrières. Assim, este é o 2˚ item mais importante na sua escolha.

 

1˚) O produtor, o number 1!

Aprendi na carne e pelo hard way que há produtores e produtores.

 

Encantada com o branco Puligny-Montrachet de Olivier Leflaive (importação Todovini/Interfood), tratei de indicar a um grupo de amigos o Puligny-Montrachet. Como não havia nenhuma garrafa de Olivier Leflaive, pegamos de um outro e desconhecido produtor. Que saia justa! Nada a ver e meus amigos não queriam acreditar que Puligny-Montrachet podia ser bom.

Portanto, o produtor é o item número 1 a considerar, pois é ele quem vai saber extrair o melhor das boas e da más safras; é ele que sabe como ninguém arrancar o melhor das técnicas ancestrais, como battonage, para fazer um bom vinho. 

 

 

Confira no vídeo o que Olivier Masmondet, diretor de exportação da Louis Jadot, nos revela. 

 

 

Melhores produtores de Chablis

Barat; J-C Bessin; Billaud-Simon; Pascal Bouchard; Bouchard Père & Fils (imp. Grand Cru) ; J-M Brocard (import. Zahil); La Chablisienne (import. Todovino/Interfood); J. Collet; ; D. Damp; V. Dauvissat; Droin Imp. Vinci); Drouhin (imp. Mistral) ; Duplessis; Jean Durup; W. Fèvre (imp. Grand Cru); Alain Geoffroy (imp. Decanter e World Wine) ;Laroche (imp. World Wine); Long-Depaquit; Dom. des Malandes; Louis Michel; Christian Moreau (imp. Premium Wines); Moreau-Naudet;Picq; Pinson; Raveneau, G.Robin; Servin, Tribut; Vocoret.

 

Valorize seu dinheiro! Gaste sim, mas gaste bem!!

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