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Ramos Pinto e a grande virada do Douro

João Nicolau D’Almeida foi muito criticado, mas o ideal de fazer vinhos finos prevaleceu e ganhou o mundo

 

Por Silvia Cintra Franco

 

Para a Wine Spectator, em artigo sobre o Douro, João Nicolau D'Almeida é uma das guiding lights, um dos luminares do Douro, precursor do vinho fino de mesa do Douro. E o respeitado crítico britânico, Hugh Johnson, é quem sublinha que a Ramos Pinto foi uma das primeiras casas do Porto a produzir vinhos finos de mesa com o rótulo Duas Quintas e sob a direção de Almeida. 

 

Almeida voltou de Bordeaux sonhando em fazer vinhos de mesa no Doura e,provavelmente, se inspirou em seu pai, Fernando Nicolau D'Almeida, o enólogo do mítico Barca Velha da Casa Ferreirinha, certamente o primeiro vinho fino de mesa do Douro, produzido desde os anos 50 do século passado.



Entretanto, Barca Velha era a exceção que confirmava a regra: no Douro se fazia vinho do Porto e ponto. Mas João Nicolau D'Almeida, que havia estudado em Bordeaux e fora aluno de Emile Peynaud, tinha por ideal fazer vinhos de mesa ali mesmo no Douro.


Na esteira da persistência, estudos e empenho de Almeida vieram outros, entre eles os autodenominados Douro Boys, um grupo de jovens do Douro determinados a fazer grandes vinhos – e estão fazendo! - e ganhar o mundo.

 

Mas como começou esta revolução do vinho fino do Douro?

Até onde chegou minha pesquisa, a grande virada do Douro se deu mesmo com João Nicolau D’Almeida.


João Nicolau D'Almeida volta a Portugal depois de estudar enologia em Bordeaux e vai trabalhar na Ramos Pinto com o tio Jose Antônio Ramos Pinto, que estava muito preocupado com o abandono da viticultura do Douro e com a falta de conhecimento sobre as castas do Douro. Fazia-se o que o vizinho também fazia, não havia uma ciência, não havia uma evolução.

À época havia uma quinta ainda virgem no Douro, a Quinta da Ervamoira e o tio a queria para plantar de uma maneira moderna e sem os erros que se cometiam na região.

Em 1976, João Nicolau D’Almeida encarregou-se de estudar as variedades do Douro. E propôs que o estudo incluísse não somente as variedades destinadas ao vinho do Porto como também as de vinho de mesa. Afinal, filho de quem era e tendo estudado em Bordeaux, tinha o anseio de produzir vinhos de mesa finos na terra do vinho do Porto, que escândalo!
 

Ervamoira, a primeira Quinta planejada do Douro


Começou a estudar as castas mais adequadas ao vinho do Porto e ao vinho de mesa; plantou-as na Quinta da Ervamoira com talhões separados, o que era uma novidade. Estudaram itens como porta enxerto, a mecanização, a poda, o sistema de condução, toda a parte vitícola e, assim, Ervamoira se tornou a primeira quinta planejada, a primeira quinta do Douro a ser planejada para fazer vinho do Porto e de mesa.



A Ramos Pinto decidiu então divulgar os resultados de seus estudos para todo o Douro. Fizeram uma comunicação dos resultados em 1981 na Universidade de Vila Real, apresentando as cinco variedades selecionadas para fazer vinho do Porto e de mesa, tipos de mecanização, plantando em alto e não mais na horizontal e outras inovações.



As cinco variedades selecionadas eram Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Francesa e foram plantados 2.500 hectares em Ervamoira com estas variedades. E até hoje muitos dos tintos da região são um corte dessas variedades.

João Nicolau D’Almeida sofreu muitas criticas, pois não havia no Douro disposição para mudanças. Criticou-se seu estudo e sua proposta de fazer vinho de mesa fino. Entretanto, muita gente começou a visitar a Quinta da Ervamoira por curiosidade. Entre eles David Bervistock, o hoje conhecido enólogo australiano radicado em Portugal.


Quem nos conta é Sophia Bergqvist, proprietária da Quinta de La Rosa. David Bervistock era na época enólogo dos Symingtons e tinha interesse em fazer vinhos de mesa, mas naquele momento os Symingtons ainda não estavam interessados. Entretanto o liberaram para fazer vinho de mesa na Quinta de la Rosa, em 1990, e que veio a ser uma das primeiras casas do Douro, junto com Ramos Pinto, a produzir vinhos de mesa finos.

 

O grande incentivo para o vinho de mesa do Douro veio do Banco Mundial que ia fazer um empréstimo para a viticultura do Douro. Mas para efetivar o empréstimo, havia necessidade de estudos. E é aí que entra o estudo pioneiro de João Nicolau, que é apresentado ao Banco Mundial.

 

A esta altura a Ramos Pinto, uma casa pequena, já produzia pequena quantidade vinho de mesa, mas a ideia era produzir para o mercado, pois já estavam fazendo para consumo próprio.



Por volta desta época a Ramos Pinto com 25 sócios herdeiros já vivia certas dificuldades de tomada de decisão e em 1990 a Louis Roederer compra 51% da Ramos Pinto e João Nicolau D’Almeida, convidado a assumir a direção da Ramos Pinto, onde se encontra até hoje,  recebe o incentivo da Roederer para produzir vinhos de mesa para o mercado. E assim engarrafa 80 mil garrafas do vinho Duas Quintas Reserva que já em 1991 recebe boas notas da Wine Spectator.



Em 1992 começam com vinhos brancos com as variedades Viosinho, Rabigato e Arinto.


Por volta do ano 2000 todas as casas do Douro já estavam fazendo vinho de mesa de forma planejada. Foi um boom, uma explosão.
 

A Ramos Pinto é importada com exclusividade pela Franco Suissa.

 

Confira no vídeo a entrevista que João Nicolau D’Almeida nos concedeu.

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